Visita de Joseph Smith em Nova York
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Pouco depois de os missionários partirem de Kirtland, Sidney Rigdon e um amigo, Edward Partridge, decidiram viajar a Nova York para "pesquisar mais profundamente" as origens do evangelho restaurado que haviam conhecido. Lydia Partridge escreveu: "Meu marido acreditava, mas teve que viajar ao estado de Nova York para ver o Profeta" antes de dar-se por satisfeito. De acordo com Philo Dibble, Partridge também viajou em benefício de outras pessoas. Um vizinho disse a Dibble: "Enviamos um homem ao estado de York para descobrir a verdade a respeito dessa religião, e trata-se de um homem que nunca mente".
Quando chegaram a Manchester, Nova York, em dezembro de 1830, Sidney e Edward ficaram sabendo que Joseph Smith estava morando com a família Whitmer no município de Fayette, a 32 quilômetros de distância. Interrogando os vizinhos sobre a família Smith, descobriram que sua reputação havia sido impecável até Joseph Smith ter divulgado sua descoberta do Livro de Mormon. Também observaram as boas condições da fazenda da família e a evidente diligência com que era cuidada. Edward e Sidney encontraram o Profeta na casa de seus pais, em Waterloo, onde Edward pediu a Joseph Smith que o batizasse.
Quatro dias depois, Edward foi ordenado élder por Sidney Rigdon, seu amigo e companheiro de viagem. Joseph Smith ficou impressionado com Sidney e Edward desde o primeiro momento. Descreveu Edward como "um exemplo de devoção e um dos grandes homens do Senhor”. Pouco depois do batismo de Edward, o Profeta recebeu revelações estabelecendo quais seriam os deveres e chamados desses dois homens. Devido à influência que exercia sobre seus seguidores, o Senhor comparou Sidney a João Batista, que preparou o caminho para Jesus Cristo.
A nova designação de Sidney foi servir como escrevente de Joseph Smith. Como vemos em Doutrina e Convênios 35:4: “Bendito és porque farás grandes coisas. Eis que foste enviado, assim como João, para preparar o caminho diante de mim e diante de Elias, o profeta, que deveria vir e tu não o sabias.”
Edward foi chamado para pregar o evangelho "como com a voz de trombeta", em Doutrina e Convênios 36:1 diz: “Assim diz o Senhor Deus, o Poderoso de Israel: Eis que te digo, meu servo Edward, que bendito és tu e teus pecados te são perdoados; e és chamado para pregar o meu evangelho como com a voz de uma trombeta.”
Joseph Smith e Sidney Rigdon foram admoestados a fortalecer a Igreja onde quer que ela se encontrasse, mas " E outra vez vos digo que não devereis ir até que tenhais pregado meu evangelho naquela região e fortalecido a igreja onde quer que ela se encontre e mais especialmente em Colesville; pois eis que eles oram a mim com muita fé. " dito em Doutrina e Convênios 37:2.
A Fé dos santos de Colesville foi recompensada com uma visita do Profeta e seu novo associado, Sidney Rigdon. Nesse lugar, o talento de Sidney em oratória ficou evidenciado pela primeira vez na Igreja, quando ele obedeceu ao mandamento que havia recebido por Revelação de “E quando não estiveres escrevendo, eis que a ele será permitido profetizar; e pregarás meu evangelho e citarás os santos profetas para comprovar as palavras dele, conforme lhe forem dadas." (Doutrina e Convênios 35:23) Sidney proferiu um magnífico e vigoroso sermão.
Os santos de Nova York também foram abençoados com importantes revelações doutrinárias dadas a Joseph Smith. Entre os meses de junho a outubro de 1830, Joseph deu seguimento ao trabalho de revisão do livro de Gênesis. Joseph disse que naquela época "havia muitas conversas e conjecturas entre os santos a respeito dos livros mencionados e citados em várias partes do Velho e do Novo Testamento, mas que não são encontrados em nenhum lugar. O comentário mais comum era que se tratava de 'livros perdidos'; contudo, a Igreja Apostólica aparentemente possuía alguns desses escritos, uma vez que Judas menciona e cita a Profecia de Enoque, o sétimo depois de Adão". Para regozijo da Igreja, que naquela época contava com cerca de setenta membros em Nova York, o Senhor revelou parte do antigo livro de Enoque, que incluía uma extensa profecia a respeito do futuro. Por meio desse relato, hoje encontrado no capítlulo 7 de Moisés, na Pérola de Grande Valor, o Senhor "incentivou e fortaleceu a Fé do Seu pequeno rebanho fornecendo mais informações a respeito das escrituras", que não eram conhecidas anteriormente.
Viagem a Missouri
Enquanto isso, cinco missionários que foram enviados aos índios para levar o evangelho, continuaram a pregar para todas as pessoas que encontravam ao longo do caminho para oeste.
Parley P. Pratt escreveu: "Alguns mostravam o desejo de aprender a respeito do evangelho e obedecer-lhe. Outros encheram-se de inveja, raiva e falsidade". Oitenta quilômetros a oeste de Kirtland, Parley foi preso sob uma acusação ridícula, julgado, considerado culpado e condenado a pagar fiança. Por não ter como pagar, Parley passou a noite preso em uma estalagem. Na manhã seguinte, recebeu uma breve visita de seus companheiros, aos quais pediu que prosseguissem a jornada, prometendo alcançá-los em breve. Parley conta: "Depois de sentar-me por algum tempo junto ao fogo, sob a custódia do policial, pedi-lhe para sair um pouco. Caminhei até a praça pública escoltado por ele. Perguntei, então: 'Sr. Peabody, é bom de corrida?' 'Não', disse ele, 'mas meu grande buldogue aqui corre muito bem e vem sendo treinado há vários anos para ajudar-me em meu ofício; ele consegue apanhar qualquer homem a um comando meu.' 'Bem, Sr. Peabody, o senhor compeliu-me a caminhar uma milha, e eu andei duas em sua companhia. Deu-me a oportunidade de pregar, cantar e também me ofereceu um lugar para dormir e o desjejum. Agora, devo prosseguir minha jornada. Se for bom de corrida, pode me acompanhar. Agradeço sua hospitalidade. Tenha um bom dia. Desatei então a correr, enquanto ele ficou ali, pasmo, sem conseguir dar um passo. O policial só conseguiu recobrar-se do espanto para começar a perseguir-me depois de eu já ter-me distanciado uns duzentos metros. Saiu então em meu encalço, atiçando o cachorro aos berros para que me apanhasse. O cão, um dos maiores que eu já tinha visto, perseguiu-me com toda a fúria. O policial corria atrás dele, batendo palmas e gritando: Stu¬boy, Stuboy pegue-o! Olhe ali! agarre-o, vamos, derrube-o!', apontando o dedo em minha direção. O cachorro estava quase me alcançando, prestes a me derruba, quando tive a súbita inspiração de ajudar o policial, mandando o cachorro correr com toda a sua fúria na direção da floresta que estava pouco adiante de mim. Apontei o dedo naquela direção, bati palmas e imitei os gritos do policial. O cachorro passou rapidamente por mim e redobrou a velocidade rumo à floresta, instigado por mim e pelo policial, que corríamos ambos nessa mesma direção."
Tendo enganado o cachorro e o policial, o Élder Pratt foi encontrar-se com seus companheiros, tomando um atalho. Parley ficou sabendo mais tarde que Simeon Carter, com quem deixara um Livro de Mórmon, e outros sessenta moradores da região haviam-se filiado à Igreja e formado um ramo. Os missionários não haviam se esquecido de seu chamado de pregar o evangelho aos nativos americanos. Em Sandusky, Ohio, passaram vários dias entre os índios wyandot. Parley escreveu: "Eles rejubilaram-se com as boas novas, desejaram-nos boa viagem e pediram-nos que lhes escrevêssemos contando do sucesso alcançado entre as tribos que viviam mais a oeste".
Era inverno quando os intrépidos missionários partiram de Sandusky rumo a Cincinnati. A viagem foi toda feita a pé. Os registros do centro oeste relatam ter havido fortes nevascas no inverno de 1830-1831. No final de dezembro de 1830, o tempo estava "extremamente frio, a nevasca dificultava a visão e os céus estavam encobertos por nuvens escuras e carregadas, paralisando toda a região das pradarias. Isso continuou ininterruptamente por vários dias. No início foi um assombro, mais tarde, um terror, vindo a tornar-se uma terrível ameaça à vida de homens e animais". Em Cincinnati, Ohio, cinco dias antes do Natal, os élderes subiram a bordo de um barco a vapor que seguiria para St. Louis. O rio Ohio, porém, estava bloqueado por grandes pedaços de gelo, forçando-os a desembarcar em Cairo, Illinois, e prosseguir a pé.
A aproximadamente trinta quilômetros de St. Louis, uma forte tempestade de neve e chuva obrigou-os a esperar uma semana, e a neve chegou a um metro de profundidade em alguns lugares.
Vagarosamente, abriram caminho para oeste, caminhando com a neve pelo joelho por dias a fio, sem abrigo nem fogo. "O cortante vento noroeste soprava em nosso rosto com tamanha intensidade como se fosse nos arrancar a pele”, escreveu Parley. O frio era tão intenso a ponto de impedir que a neve derretesse, mesmo ao meio-dia e no lado ensolarado das casas, por um período de quase seis semanas.
Caminharam quase quinhentos quilômetros carregando nas costas suas mochilas contendo roupas, livros e alimentos. Tinham apenas pão de milho congelado e carne crua de porco para comer. Parley disse que o pão estava "tão congelado que não conseguíamos morder, nem sequer raspar além da camada mais superficial da casca". Durante um mês e meio, enfrentaram o cansaço e tribulações, enquanto viajavam de Kirtland a Independence. Em 13 de janeiro de 1831, os missionários chegaram a Independence, Missouri, que era o extremo oeste dos Estados Unidos na época.