Trabalho missionario durante da depressao
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A Igreja continuou a dar ênfase ao trabalho missionário, apesar dos problemas causados pela depressão de 1930, onde muitos membros foram afetados severamente.
Como muitas famílias precisavam que o filho trabalhasse em casa e não tinham condições de enviá-lo para uma missão, o número de missionários que entraram no campo caiu abruptamente quando os efeitos da depressão se espalharam.
Em 1932, apenas 399, cinco por cento do número de missionários em potencial, estavam em condições de servir. Apesar da escassez de missionários, o trabalho missionário continuou com notável sucesso em alguns lugares. Os missionários desenvolveram métodos inovadores e sistemáticos para manter a produtividade. Em 1937, LeGrand Richards, presidente da missão dos estados do sul, publicou “A Mensagem do Mormonismo", composta de vinte e quatro apresentações semanais sobre temas do evangelho. Essa apresentação, publicada como Uma Obra Maravilhosa e um Assombro tornou-se a base de muitos programas subseqüentes de proselitismo.
Os missionários utilizaram diversas técnicas para tocar o coração das pessoas interessadas: Um coro de missionários atraiu favoravelmente a atenção das pessoas na Inglaterra e Irlanda. Uma equipe de basquetebol formada por missionários fez amigos na Tchecoslováquia. Na Alemanha, quatro élderes foram recrutados como juízes de basquete nos Jogos Olímpicos de Berlim. Palestras sobre a América antiga, com slides coloridos foram particularmente eficazes na realização de contatos. O Comitê de Rádio, Publicidade e Material Impresso da Missão foi organizado em 1935 para fornecer materiais para essas palestras ilustradas. Com Gordon B. Hinckley, que havia retornado recentemente de uma missão na Inglaterra, como secretário executivo, o comitê dirigiu a preparação de folhetos, outros materiais impressos para a missão e roteiros de programas de rádio.
Um subproduto benéfico da depressão foi o maior envolvimento dos membros locais no trabalho missionário. Na Califórnia, os missionários moraram na casa de membros para reduzir as despesas. Os santos de Alabama viajaram longas distâncias para levar pesquisadores a conferências de distrito. Em muitas áreas, os membros forneciam referências, permitindo que os missionários reduzissem o tempo gasto no trabalho menos produtivo de bater de porta em porta.
O número de missionários no mundo foi aumentado por membros locais que doavam várias horas por semana para trabalhar com os missionários de tempo integral ou aceitavam chamados para missões especiais de curto prazo. Em muitas áreas, as congregações eram lideradas por missionários, mas durante a depressão os santos locais assumiram mais responsabilidade por seus próprios assuntos. Isso não apenas fez com que os missionários tivessem mais tempo para o proselitismo, como também estimulou o orgulho que os santos sentiam por seus próprios ramos. O Presidente Grant concluiu que a escassez de missionários foi "provavelmente uma bênção disfarçada, pois forçou-nos a utilizar mais os santos locais".
Centenas de pessoas foram convertidas como resultado do trabalho missionário que foi organizado nas estacas de Sião. Na conferência geral de abril de 1936, todas as estacas foram instruídas a organizar uma missão, e a supervisão dessas missões de estaca foi designada ao Primeiro Conselho dos Setenta.
Como resultado, centenas de conversos foram batizados a cada ano, e a espiritualidade dos santos aparentemente cresceu. “Uma ala relatou que houve cinqüenta por cento de aumento na atividade geral de seus membros como resultado do trabalho missionário realizado pelos membros locais".
Durante a depressão a Igreja adotou uma variedade de outros métodos para complementar o trabalho realizado por seu cada vez mais escasso número de missionários de proselitismo. O sucesso contínuo das transmissões semanais do Coro do Tabernáculo fez com que a Igreja ampliasse sua utilização do rádio. Várias alas e estacas, bem como grupos de missionários produziram programas para emissoras locais. Parte da conferência geral foi transmitida para a Europa por meio de ondas curtas, em 5 de abril de 1936. Em parte devido à crescente popularidade do Coro do Tabernáculo, a Praça do Templo continuou a ser um eficaz instrumento missionário. Muitos visitantes desviavam-se quilômetros de sua rota para assistirem às transmissões do coro ou aos recitais de órgão do meio-dia. A Praça do Templo atraiu mais visitantes do que os populares parques nacionais da região.
A Igreja também começou a participar de modo mais regular nas feiras e exposições nacionais e internacionais. Estima-se que aproximadamente 2,3 milhões de pessoas visitaram o stand da Igreja na exposição do Centenário de Progresso de Chicago em 1933-1934. A nova imagem positiva da Igreja ficou evidente quando o Élder B. H. Roberts, que havia sido impedido de discursar na Columbian Exposition de 1893, em Chicago, foi bem recebido quando falou no Congresso de Religiões, realizado em conjunto com a exposição de Chicago em 1933. Na Exposição Internacional Califórnia-Pacífico, realizada em San Diego durante os anos de 1935 e 1936, a Igreja construiu seu primeiro pavilhão de exposição. A Exposição Internacional Golden Cate foi realizada em Treasure Island, na baía de San Francisco em 1939-1940. Ressaltando a popularidade do Coro do Tabernáculo, a Igreja desenhou seu pavilhão no formato de uma miniatura do Tabernáculo, com um auditório de cinqüenta lugares no qual os missionários apre¬sentavam palestras ilustradas a respeito da história e crenças da Igreja.
A partir de 1937, a apresentação teatral ao ar livre realizada no monte Cumora tornou-se dos mais bem-sucedidos empreendimentos de relações públicas da Igreja. Com um elenco formado na maior parte por missionários que serviam na área, o espetáculo "Testemunha de Cristo nas Américas" foi apresentado em três imensos palcos construídos na encosta do morro. Eram representadas cenas do Livro de Mórmon, culminando com a visita do Salvador aos antigos habitantes da América. Apenas um mês antes da apresentação do primeiro espetáculo, o Élder Harold I. Hansen, que acabara de receber seu diploma de arte dramática, começou a trabalhar na missão dos estados do leste. Ele foi imediatamente designado a ajudar nos preparativos e ensaios finais. O Élder Hansen estava convicto de que seu chamado para aquela missão em particular tinha sido feito por inspiração divina. Ele continuou a participar das apresentações anuais nos quarenta anos seguintes, a maior parte do tempo como diretor. Ao longo dos anos, outros palcos, luzes e outros efeitos técnicos foram acrescentados.
Instrução Para o Sistema Educacional da Igreja.
Quando os efeitos da depressão foram aos poucos sendo superados, a Igreja expandiu seus programas educacionais. Durante o final da década de 1930, o número de universidades que contavam com um instituto de religião aumentou para dezessete, incluindo todas as escolas mais importantes• da região montanhosa do oeste e da Califórnia. Um programa paralelo, o Deseret Club, teve início em 1933, quando um grupo de santos dos últimos dias do sul da Califórnia sentiu a necessidade de reunir os alunos para atividades culturais e sociais, em um ambiente condizente com os ideais e padrões da Igreja.
Em 1936, enquanto visitava a área de Los Angeles, o Élder John A. Widtsoe reconheceu o valor das atividades do Deseret Club na vida dos estudantes e ajudou a fazer com que esse programa fosse patrocinado pela Junta Educacional da Igreja. Outros Deseret Clubs foram organizados nas universidades em que não houvesse número suficiente de membros da Igreja para justificar um programa completo do instituto. Mais tarde, eles foram substituídos pela Associação de Estudantes Santos dos Últimos Dias. Os líderes educacionais da Igreja deram maior ênfase ao treinamento profissional adequado dos professores de nível universitário, especialmente te em religião. Especialistas preeminentes proporcionavam oficinas de verão na BYU, e os alunos promissores eram incentivados a participar de vá¬rios seminários de teologia.
Na metade da década de 1930, porém, um número cada vez maior de membros e líderes da Igreja começou a preocupar-se com o fato de professores de religião serem treinados por profissionais não-membros da Igreja. Sentiam que a "crítica elevada" das escrituras (a investigação científica a respeito da origem e autenticidade dos textos bíblicos) e outras idéias hu-manísticas estavam aos poucos entrando no currículo. Essas preocupações levaram as Autoridades Gerais a supervisionarem mais de perto o sistema educacional da Igreja, especialmente com relação ao ensino religioso. Nes¬sa época, David O. McKay com sua grande experiência em educação na Igreja, tornou-se conselheiro na Primeira Presidência. Tanto o Presidente Clark quando o Presidente McKay excerceram forte influência no progra¬ma educacional da Igreja.
Em 1938, o Presidente J. Reubem Clark Jr. foi designado a definir a missão do programa educacional da Igreja e descrever as qualificações e deveres dos que fossem contratados para ensinar nas escolas da Igreja, nos institutos de religião e seminários. Seu discurso, O Curso Traçado pela Igreja Referente a Assuntos Educacionais, foi proferido em 8 de agosto em uma reunião de verão desses professores em Aspen Grove, no desfiladeiro Provo, próximo ao campus da Universidade Brigham Young e tornou-se um clássico bastante citado. O Presidente Clark explicou que duas verdades fundamentais precisam ser proclamadas sem temor e não podem ser refutadas:
"Em primeiro lugar: Que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Unigênito do Pai na carne, que Ele foi crucificado; que Seu espírito deixou Seu corpo; que Ele morreu e foi colocado no sepulcro; que no terceiro dia Seu espírito foi reunido a Seu corpo, tornando-se novamente um ser vivo; que
Ele foi levantado do sepulcro como ser ressuscitado, um ser perfeito, as primícias da Ressurreição; que depois subiu ao céu para o Pai; e que graças a sua morte e por meio de Sua ressurreição todo homem nascido no mundo desde o princípio será igual e literalmente ressuscitado.
A segunda coisa a que todos precisamos dedicar toda a Fé é que o Pai e o Filho real e verdadeiramente apareceram ao Profeta Joseph Smith em uma visão no bosque; que outras visões celestes foram concedidas a Joseph e a outros; que o Evangelho e o santo Sacerdócio segundo a Ordem do Filho de Deus foram em verdade e de fato restauradas na Terra, de onde tinham sido perdidos por causa da apostasia da Igreja Primitiva; que o Senhor estabeleceu novamente Sua Igreja, por intermédio de Joseph Smith; que o Livro de Mormon é precisamente o que professa ser; que o Profeta recebeu muitas revelações para orientação, edificação, organização e encorajamento da Igreja e seus membros; que os sucessores do Profeta foram da mesma forma chamados por Deus."
O Presidente Clark então lembrou os professores de que a juventude da Igreja está ansiosa para que essas verdades sejam ensinadas de modo direto, e admoestou os professores de que jamais deveriam semear a dúvida no coração de alunos confiantes. Concluiu desafiando os ouvintes a ensinarem o evangelho de Jesus Cristo usando as obras padrão e as palavras dos profetas modernos.
Devido a seu interesse pelo crescimento espiritual dos jovens SUD, as Autoridades Gerais quiseram envolver-se pessoalmente na direção das escolas da Igreja. A Universidade Brigham Young, o Ricks College e o LDS Business College tinham cada qual o seu conselho diretor. Para que houvesse um controle mais centralizado, esses conselhos diretores foram desobrigados em 1938, e todas as unidades foram colocadas sob a direta supervisão da Junta Educacional Geral da Igreja, que era composta por Autoridades Gerais e algumas outras pessoas.
Os Santos dos Últimos Dias mostraram compreensível orgulho por suas realizações no campo da educação durante a década da depressão. Os dados do recenseamento de 1940 indicam que Utah, onde a maior parte da população era composta de membros da Igreja, teve o mais alto índice de desempenho educacional de todos os estados da União: os jovens adultos de Utah completavam uma média de 11,7 anos de escola em comparação a 11,3 nos dois outros estados que mais se destacaram e aos 10,3 da média nacional. As revistas da Igreja orgulhosamente divulgaram o resultado dos estudos realizados por E. L. Thorndike, da Universidade de Colúmbia, que verificou que Utah tinha a maior porcentagem de pessoas alistadas no Quem É Quem dos Cientistas da América. Thorndike concluiu que" a forma¬ção de homens superiores certamente não ocorre por acaso, isso tem ape¬nas uma pequena relação com a renda mas está estreitamente relacionado com o tipo de pessoas".
Solução dos Problemas Administrativos.
A expansão das atividades da Igreja durante a década de 1930 fez com que mais tempo e recursos financeiros fossem exigidos dos santos. Para aliviar esse fardo, as Autoridades Gerais realizaram um novo estudo de todos os programas da Igreja, no intuito de correlacionar e simplificar tudo o que fosse possível.
No início de 1939, a Primeira Presidência desejava que o trabalho das auxiliares e outras organizações fosse "coordenado, unificado e padronizado para evitar duplicação e conflito". Eles designaram um Comitê de Correlação e Coordenação, liderado por três membros do Quórum dos Doze. A Primeira Presidência afirmou que a razão real de todas as organizações da Igreja era "instruir as pessoas no evangelho, fazer com que adquiram um testemunho da verdade, cuidar dos necessitados e levar adiante o trabalho que nos foi confiado pelo Senhor".
Em 1940, o Presidente J. Reuben Clark Jr. explicou a um grupo de executivos da Igreja que "o lar é a base de uma vida digna e que nenhuma organização pode tomar seu lugar ou cumprir suas funções essenciais, e que o melhor que as auxiliares podem fazer é ajudar a resolver os problemas que surgem no lar, oferecendo ajuda e auxílio especiais quando necessário".
Um passo concreto no sentido da simplificação foi a descontinuação das reuniões genealógicas semanais em 1940 e a incorporação dos cursos de genealogia ao currículo da Escola Dominical. Na mesma época, a revis ta Utah Genealogical and Historical Magazine, publicada desde 1910, foi descontinuada e a Improvement Era assumiu suas funções.
Durante a década de 1930 a Igreja continuou a crescer por toda a América do Norte e no exterior. Essa expansão resultou nas duas longas viagens pelo exterior realizadas pelas Autoridades Gerais. Durante três meses de 1937, o Presidente Heber J. Grant e outros líderes da Igreja visitaram as missões da Europa. Em toda parte que esteve, o Presidente Grant incentivou os santos a permanecerem em seus próprios países e edificarem a Igreja. Grandes reuniões públicas e extensa cobertura pela imprensa ajudaram a criar um clima de boa vontade para com os mórmons, em regiões em que eles eram desconhecidos ou mal-compreendidos. Quando o Presidente J. Reuben Clark Jr. reuniu-se ao Presidente Grant para comemorar o centenário da missão britânica, essa foi a primeira ocasião em que dois membros da Primeira Presidência visitavam a Europa ao mesmo tempo.
Durante o primeiro século de existência daquela importante missão, mais de 125.000 conversos foram batizados. Aproximadamente metade deles emigraram, fortalecendo a Igreja no oeste. Em 1938, o Élder George Albert Smith do Conselho dos Doze passou seis meses visitando as missões do Pacífico, onde foi calorosamente recebido pelos santos. Um dos pontos altos da viagem foi sua participação no "hui tau" (conferência) anual dos santos maoris. Tal como o Presidente Grant havia feito na Europa no ano anterior, o Élder Smith fortaleceu os membros da Igreja no Pacífico e também promoveu uma atitude favorável em relação à Igreja por meio de entrevistas com a imprensa, discursos transmitidos pelo rádio e entrevistas com autoridades governamentais.
O contínuo crescimento da Igreja e a multiplicação das estacas e missões em todo o mundo colocaram maiores responsabilidades administrativas nos ombros das Autoridades Gerais. Isso não apenas significava maior número de conferências a serem realizadas, mas também implicava em maior número de viagens, à medida que os santos se mudavam para áreas afastadas, e eram organizadas estacas em lugares distantes como Nova York, Washington D. c., Chicago, Seattle e Honolulu.
Essa era a situação quando foi tomada a decisão de criar-se um novo grupo de Autoridades Gerais para ajudar a cumprir o maior número de tarefas. Na conferência geral de abril de 1941, a Primeira Presidência anunciou a designação de 11 Assistentes dos Doze, que seriam sumos sacerdotes designados a agir sob a direção dos Doze no cumprimento de deveres que lhes seriam dados pela Primeira Presidência e o Quórum dos Doze. Inicialmente, foram chamados cinco homens: Marion G. Romney, Thomas E. McKay, Clifford E. Young, Alma Sonne e Nicholas G. Smith. À medida que as responsabilidades administrativas aumentavam, outros membros foram acrescentados.
A década de 1930 é lembrada pela formação do plano de bem-estar, mas muitas outras medidas importantes e de grande impacto foram tomadas para a ampliação e melhoramento dos programas da Igreja. Uma Igreja mais forte e mais confiante surgiu após os anos da depressão. Mas embora a Igreja estivesse conseguindo vencer com sucesso os problemas causados pela depressão, a ameaça da guerra começava a impôr-lhe novos desafios.