Recuperacao no Pos-Guerra

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Os Horrores e a devastação da 2ª Guerra Mundial finalmente terminaram em 1945. O Presidente Heber J. Grant faleceu no dia 14 de maio daquele ano, apenas uma semana depois do final da luta na Europa e três meses antes da rendição do Japão. Seu sucessor, George Albert Smith, viu-se diante do desafio de liderar a Igreja durante uma época em que o mundo precisava ser reconstruído e necessitava sobrepujar o ódio que continuou a existir depois da guerra. Os líderes da Igreja lembraram aos santos de todo o mundo de que a única esperança de uma paz duradoura estava no cumprimento dos princípios do evangelho de Jesus Cristo.

Um Líder Amoroso para os Anos do Pós-Guerra

A experiência e o amor cristão do Presidente George Albert Smith tornaram-no a pessoa ideal para desempenhar essa tarefa. O Presidente Smith afirmou: "Não tenho nenhum inimigo de que tenha conhecimento Todos os homens e todas as mulheres são filhos de meu Pai, e tenho procurado por toda a vida observar o sábio mandamento do Redentor da humanidade: Amar o próximo como a mim mesmo".

George Albert Smith foi chamado para o Quórum dos Doze Apóstolos em 1903. Ele representava a quarta geração da família Smith a servir como Autoridade Geral.

Na época de seu chamado, seu pai, John Henry Smith, estava servindo como Apóstolo. Essa foi a primeira e única vez na história da Igreja que pai e filho serviram ao mesmo tempo no Quórum dos Doze.

De 1919 a 1921, o Élder George Albert Smith havia presidido a missão européia. Após 1ª Guerra Mundial, vários países recusaram-se a aceitar de volta os missionários. Durante as negociações que fez com esses países para obter permissão para a entrada dos missionários, o Élder Smith adquiriu experiência fundamental que se mostrou extremamente valiosa para a Igreja, quando uma situação semelhante ocorreu após o término da 2ª Guerra Mundial.

Depois de retomar da missão européia, o Élder Smith foi chamado para presidir a Associação de Melhoramentos Mútuos dos Rapazes. Ele serviu nesse cargo por mais de uma década. Durante anos ele permaneceu extremamente interessado na juventude. Desde o início, ele sempre foi um grande incentivador do programa escoteiro. Em 1932, ele foi eleito para o comitê executivo nacional dos Escoteiros da América. Dois anos depois, o Élder Smith recebeu o Búfalo de Prata, o mais alto prêmio dessa organização americana, em reconhecimento de seu serviço admirável. Sua preocupação para com a juventude ajudou o Presidente Smith ao aconselhar os militares que voltavam para casa a enfrentar os desafios que se seguiram à 2ª Guerra Mundial.

A partir dos últimos meses de 1945, milhares de Santos dos Últimos Dias foram dispensados do serviço militar. O retorno à vida civil não foi isenta de problemas, e a Igreja tomou medidas para ajudar seus membros a fazerem essa transição de modo bem-sucedido.

Os bispos entrevistavam os militares assim que chegavam e cuidavam para que recebessem chamados na Igreja. Os quóruns do sacerdócio promoviam festas de recepção para os militares e ajudavam-nos a encontrar emprego.

A Associação de Melhoramentos Mútuos desempenhou um papel vital na integração dos veteranos de guerra, por meio de atividades esportivas e sociais.

Ajuda aos Santos da Europa Devastada Pela Guerra.

Uma das mais altas prioridades dos líderes da Igreja depois do término da 2a Guerra Mundial foi o restabelecimento do contato com os santos da Europa devastada pela Guerra, que haviam ficado isolados por seis anos. Centenas de santos perderam suas casas com a destruição das cidades, especialmente na Holanda e na Alemanha.

A grande escassez de alimentos que ocorreu após a guerra aumentou ainda mais o sofrimento dessas pessoas.

Os militares Santos dos Últimos Dias das forças aliadas levaram a primeira ajuda a esses membros aflitos.

Hugh B. Brown, presidente da Missão Britânica, foi o primeiro líder da Igreja a visitar o continente europeu depois do fim da guerra. Apenas dois meses depois do final das hostilidades na Europa, o Presidente Brown voou para Paris. Ali chegando, ele dirigiu uma reunião realizada no grande salão de baile de um hotel, à qual compareceram 350 militares e santos locais. Ele seguiu viagem por trem para a Suíça para realizar uma série apressada de reuniões. Em todos os lugares, procurou incentivar a fé e a esperança dos presentes.

No outono de 1945, a Igreja começou a enviar suprimentos para a Europa. Como eram enviados pelo serviço postal comum, apenas pequenos pacotes eram aceitos, e o custo tornou-se muito alto. Apesar disso, até janeiro de 1946, a Igreja havia enviado treze mil desses pacotes. Muitos mais foram enviados por membros individuais da Igreja. Nesse mesmo tempo, a Igreja procurou encontrar meios de enviar quantidades maiores. Para isso seria necessária a colaboração de autoridades governamentais.

Conseqüentemente, o Presidente George Albert Smith, juntamente com os Élderes John A. Widtsoe e David O. McKay, foram a Washington, D.C., onde passaram bastante tempo conversando com embaixadores e outras autoridades de países estrangeiros. O Presidente Smith descreveu mais tarde sua entrevista de vinte minutos, ocorrida no dia 3 de novembro, com o Presidente Harry S. Truman, na Casa Branca:

“Vim vê-lo, Sr. Presidente, para saber qual seria sua atitude ao ser informado de que os santos dos últimos dias estão preparados para enviar alimentos, roupas e cobertores para a Europa.'

Ele sorriu para mim e disse: 'Ora, por que vocês querem enviar essas coisas para lá? Eles não têm dinheiro'.

Eu disse: 'Não queremos o dinheiro deles'. Ele fitou-me nos olhos e perguntou: 'Não me diga que pretende dar-lhes essas coisas de graça?' Respondi: 'Claro que vamos lhes dar de graça. São nossos irmãos e irmãs que estão passando necessidades. Deus nos abençoou com abundância, e ficaremos satisfeitos em poder enviar-lhes essas coisas, se contarmos com a colaboração do governo para isso'. Ele disse: 'Vocês estão fazendo a coisa certa'. Em seguida acrescentou: 'Ficaremos felizes em ajudá-Ios no que pudermos.

Em janeiro de 1946, a Primeira Presidência anunciou que o Élder Ezra Taft Benson, membro do Quórum dos Doze, que tinha grande experiência no trabalho junto a organizações agrícolas americanas, havia sido designado a reabrir as missões da Europa e a atender às necessidades espirituais e físicas dos santos daquele continente. A Primeira Presidência prometeu: "Sua influência benéfica será sentida por todos com que entrar em contato tanto você quanto eles sentirão que há um poder e um espírito a seu lado que não vêm do homem". Os acontecimentos ocorridos na Europa mostraram claramente que essa promessa havia sido uma profecia.

O Élder Benson foi acompanhado por Frederick W. Babbel, que havia servido na missão Suíça-Alemanha pouco antes do início da guerra. Eles partiram de Salt Lake City em 29 de janeiro de 1946, rumo à Inglaterra.

Durante essa grandiosa missão, lembraram-se freqüentemente de uma promessa das escrituras, que consideravam estar sendo cumprida em favor deles: "E eles irão e ninguém os deterá, porque eu, o Senhor, os mandei ir". ( Doutrina e Convênios 1:5)

O Élder Benson relatou em uma conferência geral: "As barreiras se desfizeram. Problemas que pareciam insolúveis foram resolvidos. E o trabalho, em sua maior parte, foi realizado por meio das bênçãos do Senhor". Dois dias depois de chegar a Londres, eles conseguiram um local ideal para o estabelecimento de sua sede, apesar da grande falta de moradias.

O Élder Ezra Taft Benson tornou-se o primeiro cidadão americano autorizado a viajar por todas as áreas ocupadas da Alemanha.

Suas viagens freqüentemente eram marcadas por uma série incrível de acontecimentos que lhe permitiram cumprir seu apertado cronograma. Ele e seus companheiros consideraram esses acontecimentos como manifestações da intervenção divina. Um exemplo dessas experiências ocorreu quando viajava com o capelão Santo dos Últimos Dias Howard S. Badger de Paris a Haia.

As autoridades ferroviárias de Paris avisaram-no de que haveria um dia de atraso porque a única via de acesso para a Holanda era sua fronteira oriental, não havendo outra rota mais direta. O Élder Benson percebeu que havia um trem se preparando para partir e perguntou ao chefe da estação qual era seu destino. Ele foi informado de que o trem destinava-se a Antuérpia, Bélgica.

"Eu lhe disse que embarcaríamos naquele trem, e ele garantiu-me que eu perderia um dia de viagem, pois todas as vias de ligação entre Antuérpia e a Holanda haviam sido interrompidas por causa da guerra. Senti, porém, que devia embarcar naquele trem, apesar das admoestações em contrário.

Quando chegamos à Antuérpia o chefe da estação estava muito irritado e aconselhou-nos a voltar para uma estação anterior, o que nos faria perder um dia de viagem.

Novamente observei outro trem preparando-se para partir e perguntei qual era seu destino. Fomos informados de que aquele era um transporte local que parava próximo à fronteira holandesa, onde a grande ponte que cruzava o rio Maas ainda estava em ruínas. Senti que devia embarcar naquele trem, apesar dos protestos do chefe da estação.

Quando chegamos ao rio Maas, tivemos que descer do trem. Enquanto estávamos apanhando nossa bagagem, vimos um caminhão do exército americano se aproximando. O irmão Badger acenou-lhe pedindo que parasse. Ao ser informado de que havia um pontão do exército próximo dali, o irmão Badger convenceu o motorista a levar-nos até a Holanda. Quando chegamos à primeira vila no lado holandês, tivemos a agradável surpresa de encontrar um trem local esperando para levar-nos até Haia".

Uma das primeiras cidades visitadas pelo Élder Benson foi Karlsruhe, uma importante cidade alemã no rio Reno. Ao procurar saber onde os santos dos últimos dias estariam se reunindo, Frederick W. Babbel relata que o grupo foi encaminhado para uma área na qual quase todos os edifícios estavam em ruínas.

"Estacionando nosso carro próximo aos enormes pedaços de ferro e concreto retorcidos, escalamos vários montes de escombros e caminhamos por entre as paredes destruídas na direção que nos fora apontada. Vendo toda aquela devastação a nosso redor, sentimos que a tarefa seria inútil. Ouvimos, então, ao longe o som de 'Vinde ó Santos' cantado em alemão.

Corremos na direção do som e chegamos a um edifício severamente danificado mas que ainda tinha várias salas que podiam ser utilizadas. Em uma delas, encontramos 260 santos rejubilantes que ainda estavam reunidos em conferência, apesar de ter-se passado muito da hora marcada para o término da reunião.

Com lágrimas de gratidão escorrendo pelo rosto, subimos o mais rápido possível ao púlpito improvisado. Nunca vi o Presidente Benson tão profunda e visivelmente emocionado do que naquela ocasião.

O Élder Benson descreveu os sentimentos que teve durante aquela reunião, dizendo: "Os santos estavam reunidos havia aproximadamente duas horas, aguardando nossa chegada, pois tinham sido informados de que talvez estaríamos lá para a conferência. Então, pela primeira vez na vida, vi quase toda uma congregação em lágrimas, ao subirmos na plataforma. Eles sabiam que finalmente, depois de longos seis ou sete anos, representantes de Sião, como eles nos chamavam, haviam por fim voltado a reunir-se com eles. Quando a reunião chegou a fim, tendo sido prolongada a pedido deles, eles insistiram que fôssemos até a porta e apertássemos a mão de cada um deles, enquanto saíam do edifício bombardeado. Percebemos que muitos deles, depois de passarem por nós, voltavam à fila e passavam novamente pela segunda ou terceira vez, de tão felizes que estavam por poder cumprimentar-nos. Ao olhar para seus rostos pálidos e emagrecidos, muitos deles vestidos em trapos, alguns descalços, pude ver a luz da em seus olhos ao prestarem testemunho da divindade dessa grandiosa obra dos últimos dias e expressarem sua gratidão pelas bênçãos recebidas do Senhor."

O Élder Benson sentiu que era importante que visitasse os santos espalhados pela antiga Prússia Oriental (que fazia parte da Alemanha) que passara a fazer parte do território polonês. Diversas visitas à embaixada polonesa em Londres, porém, não conseguiram obter os vistos necessários para Varsóvia. O irmão Babel conta:

"Depois de alguns momentos de reflexão profunda, o Élder Benson disse calma porém firmemente: 'Deixe-me orar a esse respeito'.

Cerca de duas ou três horas depois de o Presidente Benson ter-se recolhido para seu quarto a fim de orar, ele parou à porta do meu quarto com um sorriso no rosto e disse: "Faça suas malas. Estaremos indo para a Polônia amanhã cedo!"

A princípio eu mal podia acreditar no que via. Ele estava ali de pé como que envolto por uma bela aura de luz radiante. Sua face brilhava como eu imagino que deve ter acontecido com o rosto do Profeta Joseph Smith quando estava cheio do Espírito do Senhor.

Depois de voar para Berlim, o Élder Benson obteve a liberação necessária para que seu grupo viajasse para a Polônia, apesar de ter-lhe sido dito especificamente que a Missão Militar em Berlim não tinha autoridade para emitir vistos sem primeiro consultar Varsóvia, num processo que levaria quatorze dias. Ao chegar à Polônia, o grupo do Élder Benson seguiu de carro até a pequena cidade de Zelbak, onde havia um ramo alemão da Igreja. Não havia ninguém nas ruas quando entraram na vila. Eles perguntaram à única mulher que viram onde poderiam encontrar o presidente do ramo. O Élder Babbel relata:

"Avistamos a mulher escondida atrás de uma grande árvore. Ela parecia amedrontada quando paramos, mas ao descobrir quem éramos ela cumprimentou-nos com lágrimas de gratidão e alegria.”

Em poucos minutos a notícia correu de casa em casa: 'Os irmãos estão aqui! Os irmãos estão aqui!' Pouco depois, vimo-nos cercados por um gru¬po de quase cinqüenta pessoas, as mais felizes que já tínhamos visto.

Ao verem o nosso estranho jipe aproximar-se com o que imaginaram ser soldados russos ou poloneses, eles haviam abandonado as ruas como que por mágica. Da mesma forma, quando souberam quem éramos na verdade e qual nosso objetivo, a vila encheu-se de vida com várias crianças e mulheres, pois apenas dois dos vinte e nove portadores do Sacerdócio haviam permanecido na cidade.

Naquela manhã na reunião de Jejum e testemunho, mais de cem santos tinham-se reunido para prestar testemunho e rogar ao Deus Todo-Poderoso com hinos, jejum e Oração que fosse misericordioso para com eles e per¬mitisse que os élderes voltassem a visitá-Ios.

“Nossa chegada inesperada, depois de terem ficado quase completamente isolados da Igreja e da sede da missão desde o início de 1943, foi a muito esperada resposta, tão maravilhosa que eles mal podiam acreditar em sua boa sorte".

O Élder Benson encontrou os santos europeus bastante dispostos a prosseguir no trabalho do Senhor. Apesar disso, problemas importantes ainda teriam que ser resolvidos antes que os programas da Igreja pudessem ser colocados em funcionamento. Muitos ramos não podiam ser plenamente organizados porque um número muito grande de líderes do sacerdócio havia perdido a vida durante a guerra.

Além disso, quando as capelas e as casas foram destruídas, os santos perderam não apenas suas posses materiais, mas também artigos de importância espiritual. Em alguns ramos, por exemplo, não havia um exemplar sequer das escrituras. Apesar disso, o Élder Benson relatou: "Descobrimos que nossos membros continuaram se esforçando de maneira maravilhosa. Sua fé era forte, sua devoção ainda maior, e sua lealdade não tem comparação".


Uma das designações mais importantes do Élder Benson era fornecer o alimento e as roupas que os santos necessitavam tão desesperadamente na Europa. Na Alemanha, onde as necessidades eram particularmente sérias, os membros já haviam demonstrado coragem, fé e habilidade para atender às emergências. Durante os últimos meses da guerra, eles reuniram roupas, esconderam-nas em lugares seguros e compartilharam-nas de modo cooperativo. Richard Ranglack, o presidente da missão em Berlim, comparou esses membros alemães aos primeiros santos dos últimos dias que foram obrigados a se unirem para enfrentar as dificuldades que lhes foram impostas.

Quando a guerra terminou, os santos holandeses plantaram batatas em todo pedaço de terra que conseguiram utilizar. Eles compartilharam sua colheita com os irmãos e irmãs da Alemanha, apesar de as duas nações terem sido inimigas até pouco tempo antes. Na metade de março, o Élder Benson havia tomado todas as medidas necessárias junto às autoridades governamentais e militares da Europa para que mais suprimentos fossem enviados da América.

Para aumentar os suprimentos já estocados nos Estados Unidos, a Igreja lançou várias campanhas de arrecadação de roupas usadas e outros bens. O Presidente George Albert Smith deu o exemplo ao demonstrar seu carinho e preocupação pelo sofrimento dos santos na Europa. Ele doou pelo menos dois ternos novos, recém-saídos da lavanderia e várias camisas ainda embrulhadas com o papel da lavanderia. Durante uma visita à Praça do Bem-Estar para inspecionar o resultado dessas campanhas de coleta de roupas, ele tirou seu casaco e colocou em uma das pilhas de roupas que estavam sendo preparadas para serem embarcadas para a Europa. Apesar dos protestos de seus companheiros, ele insistiu em voltar para o escritório sem seu casaco.

As autoridades militares e outros líderes da Europa ficaram impressionados com a rapidez com que os suprimentos enviados pela Igreja chegavam da América. Os líderes da Igreja na Europa choraram de alegria e gratidão ao examinarem as roupas e verem os sacos de cereais quando visitaram os armazéns em que estavam estocados os suprimentos de bem-estar. Ao todo, cerca de noventa e três vagões de suprimentos foram enviados.

O Élder Benson também atuou na expansão do trabalho missionário até a Finlândia. Em 16 de julho de 1946, no alto de um belo morro próximo a Larsmo, Finlândia, ele dedicou e abençoou aquela terra para que fosse receptiva ao evangelho. No dia seguinte, surpreendentemente, 245 pessoas compareceram a uma reunião pública em Helsinki, manifestando sincero interesse. Uma missão própria finlandesa foi organizada no ano seguinte.

O Élder Benson voltou para casa em dezembro de 1946, depois de viajar mais de 96.500 quilômetros durante sua designação de dez meses na Europa. Nessa época, os recém-chamados presidentes estavam novamente dirigindo as missões naquele continente.


A Reabertura do Pacífico

A reabertura do trabalho missionário no Pacífico não foi tão difícil quanto na Europa. Apesar de os missionários terem sido retirados de todos os lugares, exceto do Havaí, os presidentes de missão permaneceram nos países a que foram designados. Além disso, a maioria das áreas nunca fizeram parte das zonas de combate. Depois do final das hostilidades, os missionários foram novamente designados para essas áreas sem qualquer problema.

A designação do Élder Matthew Cowley como presidente da Missão do Pacífico foi anunciada pela Primeira Presidência no final de 1946. Antes disso, o Élder Cowley já havia presidido por oito anos a Missão Nova Zelândia, inclusive durante o período da guerra, e fora chamado para o Quórum dos Doze quase imediatamente após ser desobrigado de seu cargo de presidente de missão. Seu papel junto às missões do Pacífico foi equivalente à do Élder Benson na Europa. Durante os três anos seguintes, o Élder Cowley viajou bastante pelo Pacífico e teve muitas experiências extraordinárias. Em certa ocasião, por exemplo, ele abençoou cinqüenta pessoas. No dia seguinte, ele abençoou setenta e seis pessoas, muitas das quais ficaram esperando em fila desde as cinco horas da manhã.

O Élder Cowley escreveu em seu diário: "Pareceu-me algo natural. E essas pessoas foram curadas, tão grande era sua fé. Sei que quando imponho as mãos em sua cabeça elas ficam curadas. Não por causa de minha fé. Eu tenho fé na fé que essas pessoas possuem."

O grande amor que o Élder Cowley tinha pelo povo do Pacífico, sua profunda fé no evangelho de Jesus Cristo e sua liderança entusiástica ajudaram a impulsionar o crescimento da Igreja em toda a região.

A Igreja enfrentou um desafio particularmente difícil no Japão. A missão tinha permanecido fechada naquele país desde 1924. Em 1945, havia apenas uns cinqüenta membros na Terra do Sol Nascente, mas os militares Santos dos Últimos Dias das forças de ocupação fizeram importante contribuição para o futuro da Igreja no Japão. Muitos estavam desejosos de abençoar o povo japonês com o espírito e a mensagem do evangelho. Quando lhes foi oferecida uma xícara de chá em uma loja de curiosidades, três soldados mórmons recusaram o chá e aproveitaram a oportunidade para explicar os ensinamentos da Igreja a respeito da santidade do corpo e a palavra de sabedoria. Isso levou a outras conversas sobre o evangelho com uma das pessoas que estavam na loja.

Pouco tempo depois, Tatsui Sato e sua família tornaram-se os primeiros conversos do pós-guerra batizados no Japão. Os membros dessa família tornaram-se muito fortes no evangelho. O irmão Sato trabalhou como o principal tradutor da Igreja no Japão. O jovem militar que batizou o Sr. Sato foi Boyd K. Packer, futuro membro do Quórum dos Doze Apóstolos.

Outros batismos de conversos se seguiram, e assim foram estabelecidos os alicerces da futura reabertura da missão japonesa.

Em 1947, a Primeira Presidência chamou o Élder Edward L. Clissold, que servira como militar no Japão nas forças de ocupação, a voltar e abrir a missão naquele país. Ao chegar, ele encontrou um clima mais favorável para o sucesso do trabalho missionário do que em décadas anteriores. Havia um vazio espiritual que precisava ser preenchido, e muitas pessoas estavam empenhadas em procurar o sentido da vida. Os primeiros cinco missionários designados para o Japão foram ex-militares que voltaram para compartilhar o evangelho em um país que pouco tempo antes havia sido seu inimigo. Em 1949, havia 135 membros da Igreja no Japão.

Nos anos que se seguiram ao término da 2a Guerra Mundial houve constante crescimento em diversas áreas da América do Norte onde os santos dos últimos dias procuraram emprego durante a guerra. Além disso, a Igreja atingiu um marco importante em 1947, quando a população da Igreja passou de um milhão de membros. Os anos do pós-guerra foram também um período de revitalização de diversos programas e atividades da Igreja.

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