Processo de tradução do Livro de Mórmon
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Pouco se sabe sobre o processo propriamente dito da tradução do registro, em especial porque as pessoas que mais conheciam a respeito da tradução – Joseph Smith e Oliver Cowdery -foram as que menos deixaram relatos a esse respeito.
Além disso, Martin Harris, David Whitmer e Emma Smith, que ajudaram Joseph, não escreveram qualquer descrição na época. Os relatos esparsos que escreveram muito tempo depois eram freqüentemente contraditórios.
O Profeta mostrava-se relutante em fornecer detalhes a respeito da tradução. Em uma conferência da Igreja, realizada em 25-26 de outubro de 1831, em Orange, Ohio, Hyrum pediu-lhe um relato pessoal referente à origem do Livro de Mormon. Mas o Profeta disse: "Não convém expor ao mundo todos os detalhes da origem do Livro de Mórmon."
Em carta aberta ao diretor de certo jornal, em 1833, Joseph esclareceu o essencial sem fornecer muitos detalhes, ao declarar que o Livro de Mórmon fora "encontrado por meio da ministração de um santo anjo e traduzido para nossa própria língua pelo dom e poder de Deus". Essa explicação é condizente com Doutrina e Convênios, que declara que ele recebeu "poder para traduzir, pela misericórdia de Deus, pelo poder de Deus, o Livro de Mórmon" (Doutrina e Convênios 1:29) e que o Senhor "deu-Ihe poder do alto, pelos meios que haviam antes sido preparados, para traduzir o Livro de Mórmon". (Doutrina e Convênios 20:8) O aspecto mais importante da tradução, como declara a página de rosto do Livro de Mórmon, é obviamente o fato de o livro ter sido "interpretado pelo dom e poder de Deus".
Morôni, o último guardião do antigo texto, desafiou todo leitor do Livro de Mórmon a descobrir a veracidade do livro por meio da oração; prometeu que pelo poder do Espírito Santo todas as pessoas poderão saber que ele é verdadeiro. No livro de Mórmon em Morôni 10:4-5. O próprio testemunho do Senhor a respeito do Livro de Mórmon declara que Joseph Smith “E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas.” Assim como em Doutrina e Convênios 17:6 diz: “E ele traduziu o livro, sim, aquela parte que lhe ordenei; e assim como vive vosso Senhor e vosso Deus, ele é verdadeiro.”
Alguns críticos sugeriram que Sidney Rigdon teria sido o principal autor do Livro de Mórmon. Dizem que ele usou um romance escrito por Solomon Spaulding chamado a Manuscrito Encontrado ou A História do Manuscrito como guia para os trechos históricos da obra. No entanto, não existe qualquer evidência de que Sidney Rigdon tivesse conhecido Joseph Smith antes da publicação do Livro de Mórmon. Em seu próprio testemunho, o Élder Rigdon declara que a primeira vez que ouviu falar do livro foi em outubro de 1830, quando um exemplar foi-lhe entregue por Parley P. Pratt.
O manuscrito de Solomon Spaulding foi descoberto por volta de 1880 e não se parece nem um pouco com o Livro de Mórmon. Essa teoria obviamente foi forjada mas muito difundida, ligando Spaulding a Rigdon, foi uma tentativa de Satanás de desacreditar a palavra de Deus. Quando Joseph Smith iniciou a tradução, em 1827, evidentemente começou a partir do livro de Leí, que se encontra no resumo das placas maiores de Néfi compilado por Mórmon.
Como diz o cabeçalho de Doutrina e Convênios 10. “Revelação dada a Joseph Smith, o Profeta, em Harmony, Estado da Pensilvânia, no verão de 1828. Nela o Senhor informa Joseph sobre alterações feitas por homens iníquos nas 116 páginas do manuscrito extraídas da tradução do Livro de Leí, no Livro de Mórmon. Essas páginas manuscritas haviam sido perdidas enquanto em poder de Martin Harris, a quem elas haviam sido temporariamente confiadas. O desígnio iníquo consistia em aguardar a retradução da matéria contida naquelas páginas roubadas e então mostrar as discrepâncias criadas pelas alterações, desacreditando, assim, o tradutor. Mostra-se no Livro de Mórmon que esse propósito iníquo havia sido concebido por Satanás e era conhecido pelo Senhor, até mesmo enquanto Mórmon, o antigo historiador Nefita, fazia o resumo das placas acumuladas”.Depois que as 116 páginas do manuscrito foram perdidas, Joseph aparentemente recomeçou a tradução a partir do livro de Mosias, que também se encontra nas placas maiores. Havia apenas começado o livro de Mosias, quando Oliver Cowdery foi-lhe enviado, no início de abril de 1829.
Cinco semanas mais tarde, em 15 de maio de 1829, eles estavam em 3 Néfi, no sermão que o Salvador fez aos Nefitas a respeito do batismo. Somente depois de chegar à casa da família Whitmer, em Fayette, Joseph começou a traduzir as placas menores de Néfi, que contêm 1 Néfi até as Palavras de Mórmon. O Profeta Joseph foi ordenado a traduzir as placas menores para repor as 116 páginas perdidas. Como descrito em Doutrina e Convênios 10:43-45. Não permitirei que eles destruam minha obra; sim, mostrar-lhes-ei que minha sabedoria é maior do que a astúcia do diabo. Eis que eles têm somente uma parte, ou seja, um resumo do relato de Néfi.
Eis que há muitas coisas gravadas nas placas de Néfi que lançam maior luz sobre meu evangelho; portanto, segundo minha sabedoria, deves traduzir essa primeira parte das gravações de Néfi e incluí-la nesta obra. No manuscrito original do Livro de Mórmon, o trabalho de John Whitmer como escrevente aparece apenas no texto das placas menores, confirmando essa conclusão.
As testemunhas do Livro de Mórmon.
Quase imediatamente após Joseph Smith ter traduzido os escritos de Néfi que mencionam a necessidade de testemunhas, como dito em 2 Néfi 27:12-14: “Portanto, no dia em que o livro for entregue ao homem de quem falei, o livro será escondido dos olhos do mundo para que ninguém o veja, exceto três testemunhas, além daquele a quem o livro será entregue; e vê-lo-ão pelo poder de Deus; e eles testificarão a veracidade do livro e das coisas que ele contém.
E ninguém mais o verá, senão uns poucos, de acordo com a vontade de Deus, para dar testemunho de suas palavras aos filhos dos homens, pois o Senhor Deus disse que as palavras dos fiéis falariam como se viessem dos mortos. Portanto o Senhor Deus revelará as palavras do livro e, pela boca de tantas testemunhas quantas achar necessário, estabelecerá a sua palavra; e ai do que rejeitar a palavra de Deus!”
Martin Harris foi de Palmyra a Fayette para informar-se a respeito do andamento do trabalho. Martin, Oliver Cowdery e David Whitmer pediram a Joseph que orasse e perguntasse ao Senhor se eles poderiam ser as testemunhas prometidas. Joseph consultou o Senhor e recebeu uma revelação na qual lhes foi dito que se exercessem Fé e tivessem sincero propósito de coração teriam o privilégio de ver as placas sagradas, o peitoral, a espada de Labão, o Urim e o Tumim usados pelo irmão de Jarede e a Liahona - a bússola miraculosa dada a Leí no deserto. Em Doutrina e Convênios 17:2 Senhor declarou: "É por vossa fé que os vereis, sim, por aquela fé que possuíam os profetas da antigüidade". O Senhor também lhes disse que depois de verem esses objetos, teriam o dever de prestar testemunho dessas coisas ao mundo. Assim que terminou a tradução, Joseph Smith enviou uma mensagem a seus pais em Manchester, pedindo-Ihes que fossem até a casa da família Whitmer, em Fayette.
Quando chegaram, acompanhados de Martin Harris, passaram uma noite agradável lendo o manuscrito. Na manhã seguinte, as futuras testemunhas e outras pessoas que estavam hospedadas com a família Whitmer reuniram-se para realizar os costumeiros serviços de adoração matinais, ler as escrituras, cantar hinos e orar.
Lucy escreveu: "Joseph ergueu-se e aproximou-se de Martin Harris, com uma solenidade que ainda hoje me faz gelar o sangue nas veias; nessa ocasião, pelo que me lembro, ele disse: 'Martin Harris, você deve humilhar-se perante Deus neste dia, para que receba o perdão de seus pecados. Se assim o fizer, é a vontade do Senhor que veja as placas, em companhia de Oliver Cowdery e David Whitmer'". Depois disso, os quatro homens retiraram-se para o bosque e procuraram receber a revelação prometida. Depois de duas tentativas frustradas, porém, Martin Harris sentiu que sua presença era a causa do fracasso em receber uma resposta. Afastou-se até certa distância do grupo e começou a orar sozinho. Os outros três nem bem haviam retomado suas orações, quando Morôni lhes apareceu com As Placas de Ouro nas mãos. Joseph relata: "Ele virou as folhas uma por uma, de modo que pudéssemos vê-Ias e distinguir os caracteres nelas gravado.
Ouvimos uma voz proveniente da luz brilhante acima de nós, dizendo: 'Estas placas foram reveladas e traduzidas pelo poder de Deus. Sua tradução está correta, e ordeno-vos que testemunheis o que agora vistes e ouvistes.' Deixei David e Oliver sozinhos e fui procurar Martin Harris. O encontrei orando fervorosamente, a uma distância considerável de onde estávamos. Disse-me, entretanto, que ainda não havia recebido uma resposta do Senhor e me pediu encarecidamente que orasse com ele, para que também alcançasse as mesmas bênçãos que acabáramos de receber. Assim fizemos e por fim alcançamos nosso objetivo, pois antes de terminarmos a Oração, a mesma visão abriu-se a nossos olhos, pelo menos para mim, e vi e ouvi as mesmas coisas; nesse instante, Martin Harris exclamou em alta voz, aparentemente em êxtase: 'É o bastante; é o bastante; meus olhos viram; meus olhos viram' Quando Joseph voltou para a casa da família Whitmer, falou aos pais do alívio que sentira pelo fato de outras pessoas terem visto o anjo e as placas e por saber que essas pessoas dali por diante teriam o dever de prestar testemunho dessas coisas. Joseph disse: "Agora eles sabem por si mesmos que não estou enganando as pessoas. Sinto como se uma carga quase insuportável tivesse sido tirada de meus ombros. Minha alma está extremamente feliz, pois não estou mais sozinho no mundo".
As três Testemunhas prestaram o seguinte depoimento de sua experiência: "Nós, pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm este registro. E sabemos também que foram traduzidas pelo dom e poder de Deus, porque assim nos foi declarado por sua voz; sabemos, portanto, com certeza, que a obra é verdadeira".
Testificaram também que o anjo lhes mostrara os caracteres gravados nas placas. Seu Testemunho foi incluído em todas as edições do Livro de Mórmon desde aquela época. Poucos dias depois, oito homens fiéis que apoiaram o Profeta durante a tradução foram escolhidos para serem testemunhas e verem as placas. Foram eles: o pai de Joseph Smith, Joseph Smith Sênior; os irmãos de Joseph, Hyrum e Samuel; quatro dos irmãos Whitmer, Christian, Jacob, Peter e John; e um cunhado dos Whitmer, Hiram Page. Joseph recebeu a permissão de mostrar-Ihes as placas num local próximo da residência da família Smith, em Manchester, onde Joseph estava para fazer os acertos necessários para a publicação do livro.
As Oito Testemunhas testificaram que manusearam e seguraram as placas e viram os caracteres gravados nas folhas. Seu testemunho também está incluído em todas as edições publicadas do Livro de Mórmon. Dessse modo, de acordo com a lei divina das testemunhas, a veracidade do Livro de Mórmon foi mais uma vez confirmada e os habitantes da Terra serão considerados responsáveis pelas coisas nele contidas. Todas as onze testemunhas especiais das placas do Livro de Mórmon serviram em importantes chamados eclesiásticos na Igreja restaurada.
Cinco deles - Christian Whitmer, Peter Whitmer Jr. e os três da família Smith - serviram ativamente na Igreja até o dia de sua morte.
Todas as Três Testemunhas - Martin Harris, Oliver Cowdery e David Whitmer acabaram afastando-se da Igreja.
John e Jacob Whitmer e Hiram Page, das Oito Testemunhas, também abandonaram a fé.
Nenhum desses seis homens, contudo, jamais negou seu testemunho, apesar de terem tido muitas oportunidades para fazê-Io. Todos confirmavam firmemente a veracidade de seu testemunho, sempre que isso lhes era perguntado. Oliver Cowdery e Martin Harris mais tarde voltaram para a Igreja e permaneceram ativos até o dia de sua morte.