Primeira Conferência da Igreja

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Em junho de 1830, os santos de Nova York concentravam-se principalmente em Manchester, Fayette e Colesville. Nessa época, a Igreja tinha aproximadamente trinta membros. Depois de receber instruções reveladas em Doutrina e Convênios 20:75 que diz: “É conveniente que a igreja se reúna amiúde para partilhar do pão e do vinho, em lembrança do Senhor Jesus.”, o Profeta Joseph Smith convocou a primeira conferência da Igreja, em 9 de junho, em Fayette.

Muitas pessoas compareceram, tanto as que acreditavam quanto as desejosas de aprender. Todos os presentes tomaram o sacramento e muitos recém-conversos foram confirmados. Samuel H. Smith foi ordenado élder, e Joseph Smith Sênior e Hyrum foram ordenados sacerdotes. Dez irmãos receberam "licenças", que eram pequenos documentos que certificavam que o portador estava autorizado a representar a Igreja, como explica em Doutrina e Convênios 20:64-65: “Todo sacerdote, mestre ou diácono que é ordenado por um sacerdote pode receber dele, no momento, um certificado que, quando apresentado a um Élder, lhe dará direito a uma licença, a qual o autorizará a cumprir os deveres de seu chamado; ou ele pode receber essa licença da conferência. Nenhuma pessoa deve ser ordenada para qualquer ofício nesta igreja, onde houver um ramo devidamente organizado, sem o voto daquela igreja; Mas os élderes presidentes, os bispos viajantes, os sumos conselheiros, os sumos sacerdotes e os élderes têm o privilégio de fazer ordenações onde não houver ramo da igreja em que se possa convocar uma votação.”

Oliver Cowdery fez a ata da reunião e foi designado a manter os registros oficiais da Igreja. Joseph Smith leu para a congregação as "Regras e Convênios da Igreja de Cristo" (a maior parte das seções 20 e 22 de Doutrina e Convênios), que continham importantes instruções referentes à ordem da Igreja.

Joseph Smith escreveu: "Fizeram-se muitas exortações e deram-se muitas instruções, e o Espírito Santo derramou-se sobre nós de modo milagroso. Muitos profetizaram, enquanto outros tiveram visões dos céus".

Newel Knight sentiu-se indescritivelmente pleno de amor e paz. Teve uma visão do Salvador e soube que um dia seria admitido à presença do Senhor.

"Essas manifestações destinavam-se a inspirar nosso coração com indescritível alegria e encher-nos de assombro e reverência pelo Todo¬Poderoso. Nos vemos empenhados na mesma ordem de coisas testemunhadas pelos antigos Apóstolos; perceber a importância e a solenidade desses acontecimentos; observar e sentir com nossos próprios sentidos as manifestações gloriosas dos poderes do Sacerdócio, os dons e bênçãos do Espírito Santo, a bondade e a condescendência de um Deus misericordioso para com os que obedecem ao evangelho eterno de nosso Senhor Jesus Cristo, tudo isso combinado criou dentro de nós uma sensação esfuziante de gratidão, inspirando-nos com novo fervor e energia para lutar pela causa da verdade."

Pouco depois dessa conferência, doze pessoas foram batizadas no lago Sêneca, por David Whitmer. Entre elas estavam a irmã de Joseph Smith, Katherine, e seus irmãos William e Don Carlos.


Tribulações e Alegrias em Colesville

Imediatamente após a conferência, Joseph Smith voltou para sua casa em Harmony, Pensilvânia. No final de junho de 1830, o Profeta visitou a família Knight, em Colesvillle, Nova York, acompanhado de Emma, Otiver Cowdery, John e David Whitmer. Joseph Knight Sênior, que já lera o Livro de Mormon e se convencera de que era verdadeiro, desejou ser batizado, juntamente com algumas outras pessoas da região.

No dia 26 de junho, sábado, os membros da Igreja represaram um riacho para formar um laguinho adequado para os batismos. Naquela noite, uma multidão enfurecida, instigada por líderes religiosos locais que temiam perder seus seguidores, demoliu a represa. No domingo, os membros realizaram uma reunião. Oliver fez um discurso e outras pessoas prestaram testemunho da veracidade do Livro de Mórmon e das doutrinas do arrependimento, batismo para a remissão dos pecados e imposição das mãos para o dom do Espírito Santo.

Alguns integrantes do populacho assistiram à reunião e depois importunaram os presentes.

Na manhã seguinte, 28 de junho, os membros consertaram a represa e realizaram o serviço batismal. Treze pessoas foram batizadas, entre as quais estava Emma Smith. Muitos vizinhos zombaram deles, perguntando se "estavam lavando ovelhas". Os santos retomaram calmamente à casa de Joseph Knight e, em seguida, à residência de Newel Knight, sendo seguidos por seus inimigos, que os insultavam em alta voz e faziam ameaças aos recém-conversos.

Uma reunião seria realizada à noite para confirmar os que haviam sido batizados, mas antes mesmo de seu início, Joseph Smith foi preso e levado a South Bainbridge, condado de Chenango, para ser julgado como desordeiro. Uma multidão tentou interceptar Joseph e o policial, mas este conseguiu proteger o Profeta.

Joseph Knight Sênior contratou dois vizinhos, James Davidson e John Reid, homens de reconhecida integridade, para defender Joseph Smith no tribunal no dia seguinte. As escandalosas falsidades que circulavam acerca do Profeta atraíram muitos agitadores ao julgamento. Não obstante, o testemunho de Josiah Stowell e duas de suas filhas foram fundamentais para a absolvição de Joseph.

Pouco depois do término do julgamento, outro policial, dessa vez do Condado de Broome, prendeu Joseph sob a mesma acusação.

Joseph contou: "Tão logo me prendeu, o policial que me apresentou a segunda ordem de prisão começou a agredir-me e insultar-me. Mostrou-se extremamente insensível para comigo; pois embora eu tivesse ficado em julgamento o dia inteiro, sem nada para comer desde a manhã, me levou apressadamente para o condado de Broome, que ficava a quase vinte e quatro quilômetros de distância, antes de permitir que eu comesse qualquer coisa. Conduziu-me a uma taverna e reuniu vários homens que fizeram de tudo para me agredir, ridicularizar e ofender. Cuspiram em mim, apontando-me o dedo e dizendo: 'Profetiza! Profetiza!', imitando assim, sem se darem conta disso, os que crucificaram o Salvador da humanidade".

No julgamento da manhã seguinte, várias testemunhas perjuraram contra o Profeta, caindo freqüentemente em contradição. Quando Newel Knight foi chamado a depor, o Sr. Seymour, um promotor muito interessado em atacar o Mormonismo, interrogou-o a respeito do incidente em que o diabo fora expulso de seu corpo: E Joe Smith teve qualquer participação nesse incidente?' 'Sim, senhor.' 'Foi ele que o expulsou de seu corpo?' 'Não, senhor; foi o poder de Deus. Joseph Smith serviu de instrumento nas mãos de Deus para isso, ordenando ao diabo que saísse de mim em nome de Jesus Cristo.' 'E tem certeza de que era o diabo?' 'Sim, senhor! Eu o vi.' 'Quer ter a gentileza de dizer-nos como ele se parecia?' A testemunha replicou: 'Não creio que eu precise responder a sua última indagação, mas o farei, se me permitir primeiro fazer-lhe uma pergunta e depois ouvir sua resposta: Sr. Seymour, compreende as manifestações do espírito?' 'Não', respondeu ele, 'não tenho qualquer pretensão de entender coisas tão grandiosas'. 'Bem, então', replicou Knight, 'de nada adiantará dizer-lhe como se parecia o diabo, pois foi uma visão espiritual, que discerni espiritualmente, e é óbvio que o senhor não a entenderia se eu lhe relatasse'.

O advogado abaixou a cabeça, enquanto a audiência caía em gargalhada, ao perceber seu embaraço. Esses homens (James Davidson e John Reid), embora não fossem advogados profissionais, conseguiram calar seus oponentes naquela ocasião e convencer a corte de que eu era inocente. Falaram como que sob “inspiração divina."

O Profeta foi novamente absolvido, mas a turba importunou-o até achar-se a salvo na casa da cunhada antes de partir para sua própria casa, em Harmony.

Alguns dias mais tarde, Joseph Smith retomou a Colesville, em companhia de Oliver Cowdery, para confirmar os que haviam sido batizados. Pouco depois de sua chegada, começou a reunir-se uma multidão revoltada. Joseph e Oliver acharam melhor sair logo da cidade, sem sequer descansar da viagem.

Quase não conseguiram escapar da turba que os perseguiu noite adentro.

O Profeta relatou: "Fomos perseguidos por causa de nossa fé religiosa - neste país em que a Constituição nos garante o indiscutível direito de adorar a Deus de acordo com os ditames de nossa própria consciência - e pior de tudo, por homens que eram mestres de religião, prontos a lutar por seus direitos de liberdade religiosa, mas que injustificadamente nos negavam esse mesmo privilégio".

Enquanto isso, os santos de Colesville oravam para que Joseph e Oliver fossem visitá-Ios novamente. O retorno do Profeta a Colesville, no início de agosto, ocorreu graças a um milagre. Como a hostilidade persistia, Joseph e Hyrum Smith e John e David Whitmer oraram fervorosamente antes da viagem e, conforme declarou Newel Knight, "suas orações não foram em vão. A pouca distância de minha casa, encontraram um grande número de homens trabalhando numa via pública, entre os quais estavam alguns de nossos inimigos mais temíveis. Os homens olharam fixamente para os irmãos, mas não os reconheceram, dando-Ihes passagem sem os importunar".

As confirmações e a distribuição do sacramento realizadas naquele dia foram um alegre interlúdio em meio aos problemas que enfrentavam. Durante essas tribulações, o Senhor consolou o Profeta e revelou princípios fundamentais da teologia e prática dos Santos dos Últimos Dias, entre os quais estavam as visões de Moisés contidas no capítulo 1 do livro de Moisés, em Pérola de Grande Valor, que explica claramente a natureza e a amplitude da obra de Deus, como vemos em Moisés 1:33,”E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito.” 39 “Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem.” E aponta Satanás como a origem da oposição à justiça.

No decorrer do verão, Joseph estudou o livro de Gênesis, no Velho Testamento, no qual se basearam o livro de Moisés e boa parte de sua "versão inspirada" da Bíblia, hoje conhecida como Tradução de Joseph Smith. Durante o mês de julho, o Profeta recebeu outras revelações instruindo-o a ser paciente nas aflições, a continuar a orar, "a escrever as coisas que lhe fossem dadas pelo Consolador e a explicar todas as escrituras à igreja. "Pois tu servirás exclusivamente a Sião; e nisto terás força. E nas obras terrenas não terás força". Em Doutrina e Convênios 24:5 diz, “E continuarás a invocar a Deus em meu nome e a escrever as coisas que te serão dadas pelo Consolador e a explicar todas as escrituras à igreja.”, “Pois tu servirás exclusivamente a Sião; e nisto terás força.”, “E nas obras terrenas não terás força, porque teu chamado não é esse. Dedica-te a teu chamado e terás com o que magnificar teu ofício e explicar todas as escrituras e continuar impondo as mãos e confirmando as igrejas.”

Joseph fora chamado para ser profeta e não deveria preocupar-se diretamente em atender suas próprias necessidades materiais. Não foi um sacrifício fácil para Joseph e sua família.

Foi também aconselhado a “Eis que vos digo que devereis dedicar vosso tempo ao estudo das escrituras e à pregação e à confirmação da igreja em Colesville; e à realização de vossos labores na terra, como é requerido, até depois de irdes ao oeste a fim de realizar a próxima conferência; então vos será dado saber o que fareis.” (Doutrina e Convênios 26:1)

Essa conferência deveria realizar-se no mês de setembro, em Fayette. Em julho, Joseph recebeu uma revelação para sua esposa, Emma, como mostra o cabeçalho de Doutrina e Convênios 25: “Revelação dada por intermédio de Joseph Smith, o Profeta, em Harmony, Estado da Pensilvânia, em julho de 1830. (Ver o cabeçalho da seção 24.) Esta revelação transmite a vontade do Senhor a Emma Smith, mulher do profeta. 1–6, Emma Smith, uma mulher eleita, é chamada para ajudar e consolar o marido; 7–11, Ela também é chamada para escrever, explicar as escrituras e selecionar hinos; 12–14, O canto dos justos é uma prece ao Senhor; 15–16, Os princípios de obediência contidos nesta revelação aplicam-se a todos.”, o capitulo ainda diz que ela foi chamada de "mulher eleita" e consolada em suas aflições. Foi também instruída a escolher hinos para o primeiro hinário da Igreja. Os hinos por ela escolhidos e outros que foram escritos desde aquela época retratam a grande dos Santos dos Últimos Dias. Falando a respeito da importância da música em nossa dispensação, o Senhor disse: "minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim e será respondido com uma bênção sobre sua cabeça".

Quando o Profeta retornou a Harmony, em agosto, recebeu uma importante revelação acerca dos emblemas do sacramento. Newel Knight e a esposa, Sally, tinham ido a Harmony visitar Joseph e Emma. Nenhuma das duas mulheres havia sido confirmada na Igreja e por isso os dois casais, juntamente com David Whitmer, decidiram realizar essa ordenança e partilhar do sacramento.

Joseph foi comprar vinho para a ocasião, mas pouco adiante encontrou um mensageiro celestial. O anjo disse-lhe que não importava o que se comia ou bebia no sacramento, desde que a ordenança fosse realizada com os olhos fitos na glória de Deus. Joseph foi advertido a não comprar vinho dos inimigos. Em Doutrina e Convênios 27:2-4 diz: “Pois eis que vos digo que não importa o que se come ou o que se bebe ao participar do sacramento, se o fizerdes com os olhos fitos na minha glória lembrando perante o Pai o meu corpo, que foi sacrificado por vós, e o meu sangue, que foi derramado para a remissão de vossos pecados. Portanto um mandamento vos dou, que não compreis vinho nem bebida forte de vossos inimigos; Portanto nenhum tomareis, a não ser que seja novo, feito por vós, sim, neste reino de meu Pai que será edificado na Terra.”

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