Origem do Livro de Mórmon e a Restauração

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O ano de 1829 foi um ano muito importante para o jovem profeta e para a Igreja que seria por ele restaurada. No final de 1828, Moroni devolveu as placas e o Urim e o Tumim, prometendo um novo escrevente para ajudar na tradução.

Naquele outono, preocupados com Joseph, seus pais foram visitá-lo em Harmony, ficando contentes em encontrar com o filho animado e saber que as placas e o Urim e o Tumim estavam em segurança no baú de marroquim vermelho de Emma.

Voltaram para casa aliviados de um fardo quase insuportável e sentindo uma alegria que compensou todo o sofrimento por que passaram.

A promessa Senhor de enviar um escrevente foi cumprida na primavera de 1830 quando Oliver Cowdery chegou a Harmony. Ele e Joseph começaram a trabalhar diligentemente para terminar a tradução. No decorrer da tradução tomaram conhecimento de importantes princípios do evangelho, alguns dos quais propiciaram novas experiências espirituais e a restauração sacerdócio. Estava sendo preparado o caminho para a organização Igreja de Jesus Cristo, que ocorreria no ano seguinte.

A Chegada de Oliver Cowdery

Durante o inverno de 1828-1829, Joseph Smith trabalhou de tempo a tempo na tradução, com a ajuda de Emma e o irmão dela, mas a luta diária para conseguir o sustento da família deixava-lhe pouco tempo para ajudar com a tradução.

O pai de Emma, Isaac Hale, duvidava das declarações de Joseph a respeito das placas e não lhe dava muito apoio. Por esse motivo, em março de 1829, Joseph disse: "Não tendo a quem recorrer, implorei ao Senhor que providenciasse um modo pelo qual eu pudesse realizar, trabalho que Ele me mandara fazer".

O Senhor ordenou-lhe interrompesse a tradução por algum tempo e esperasse “até que eu ordene; e providenciarei meios para realizares as coisas que te ardenei”, como lemos em Doutrina e Convênios 5:34: “Sim, por essa razão eu disse: Pára e espera até que eu te ordene; e providenciarei meios para realizares as coisas que te ordenei”.

Tendo , o Profeta aguardou o novo escrevente, que chegou em 5 de abril, na pessoa de Oliver Cowdery.

Oliver Cowdery nasceu em 3 de outubro de 1806, em Wells, condado de Rutland, Vermont. Era o caçula de oito irmãos. Sua educação incluía a leitura, a escrita e rudimentos de aritmética.

Muitos dos irmãos mais velhos de Oliver consideraram limitadas as oportunidades de trabalho em Vermont e mudaram-se para o oeste de Nova York. Em 1825, Oliver seguiu o exemplo dos irmãos e conseguiu emprego de secretário em uma loja artigos gerais. Também trabalhou como ferreiro e fazendeiro. Oliver era franzino, tinha cerca de 1,65m de altura, cabelos escuros e ondulados olhos castanhos penetrantes.

No início de 1829, Lyman Cowdery, um dos irmãos mais velhos de Oliver, foi contratado como professor de uma escola local do município de Manchester, próximo à residência da família Smith. Lyman não pôde cumprir o compromisso assumido e sugeriu à diretoria da escola que contratasse seu irmão Oliver.

Tendo sido aprovado pelos membros do conselho diretor da escola, do qual Hyrum Smith fazia parte, Oliver começou a lecionar e foi convidado a hospedar-se na casa de Joseph Smith Sênior. Lucy Smith relata que assim que chegou ele começou a ouvir comentários de toda a parte a respeito das placas e logo passou a pedir insistentemente ao Sr. Smith que lhe falasse sobre o assunto, mas ficou muito tempo sem receber qualquer informação. A família Smith relutava em contar suas experiências por ter sido ridicularizada pelos vizinhos no passado.

Quando Oliver conquistou a confiança da família, Joseph Smith Sênior contou-lhe a respeito das placas. Oliver orou em particular e meditou a respeito do assunto, vindo a confidenciar a Joseph Smith Sênior que sentira que teria o privilégio de trabalhar como escrevente de Joseph, a quem ainda não fora apresentado. Disse à família que era a vontade do Senhor que ele fosse com Samuel visitar Joseph na primavera seguinte, após o término das aulas.

Oliver disse: "Se houver um trabalho que eu deva realizar nessa obra, estou decidido a desempenhá-lo". Assim sendo, Samuel Smith e Oliver Cowdery partiram para Harmony, Pensilvânia, no início de abril. O tempo úmido e desagradável teria desencorajado a maioria das pessoas, mas Oliver não deixou que nada o impedisse de conhecer Joseph Smith e falar com ele. Antes de conhecer a família Smith em Manchester, Oliver Cowdery havia conhecido David Whitmer, em Fayette, Nova York, com quem fizera amizade. A caminho de Harmony, Oliver e Samuel pararam para visitá-lo. David pediu a Oliver que lhe escrevesse contando sua opinião sobre Joseph e os registros antigos. Essa amizade com a família Whitmer viria a tornar-se importante no surgimento do Livro de Mormon e no estabelecimento da Igreja. Quando Oliver chegou a Harmony, em 5 de abril, um domingo, Joseph Smith reconheceu-o como o ajudante que o Senhor lhe prometera. Ficaram conversando sobre as experiências de Joseph até tarde da noite. No dia seguinte, cuidaram de alguns negócios e na terça-feira, 7 de abril, começaram a trabalhar diligentemente na tradução.

A Tradução se Acelera.

Joseph e Oliver trabalharam quase ininterruptamente na tradução durante todo o mês de abril. Com a ajuda de Oliver, Joseph passou a traduzir mais rápido que nunca. Em três meses, Joseph e Oliver concluíram a assombrosa tarefa de traduzir aproximadamente quinhentas páginas impressas.

Esse foi um período glorioso em sua vida. Oliver escreveu: "Esses foram dias inolvidáveis - ouvir o som de uma voz ditada pela inspiração do céu. Dia após dia continuei ininterruptamente a escrever o que lhe saía da boca, enquanto ele traduzia a história ou relato chamado 'O Livro de Mórmon' com Urim e Tumim".

Durante o mês de abril, foram dadas importantes revelações a Oliver Cowdery por meio de Joseph Smith. Na primeira, que se encontra atualmente em Doutrina e Convênio 6, Oliver foi elogiado por seus desejos justos de clamar ao Senhor, sendo-lhe lembrado que "tantas vezes quantas inquiriste, recebeste instruções de meu Espírito. Se assim não fora, não terias chegado ao lugar onde agora estás" (Doutrina e Convênios 6: 14).

Aparentemente, porém, Oliver desejava um testemunho maior da veracidade do trabalho, por isso o Senhor disse-lhe:

"Volve tua mente para a noite em que clamaste a mim em teu coração a fim de saberes a respeito da veracidade destas coisas. Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus?" como é dito e ensinado em Doutrina e Convênios 6:22-23. Somente depois dessa revelação, Oliver contou a Joseph que, certa noite, enquanto estava hospedado na casa da família Smith, havia orado a Deus para saber se Joseph Smith era um profeta e sentira uma confirmação tranqüilizadora de que isso era verdade. Enquanto trabalhavam juntos, Oliver desejou ter a capacidade de traduzir. Foi-lhe concedida essa bênção, e ele traduziu algumas palavras, mas não seguiu o processo necessário de preparação espiritual e concentração mental. O Senhor explicou:

"Deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto sentirás que está certo. Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos; terás, porém, um estupor de pensamento que te fará esquecer o que estiver errado; portanto não podes escrever aquilo que é sagrado a não ser que te seja concedido por mim." É o que lemos em Doutrina e Convênios 9:8-9.

Nessa época, um velho amigo, Joseph Knight Sênior, chegou de Colesville, Nova York, que ficava a 45 km, trazendo mantimentos, que incluíam batatas, peixe e uma grande quantidade de cereais, além de papel pautado e dinheiro para comprar mais papel. A visita de Knight foi importante para a continuidade do trabalho, porque Joseph e Oliver estavam passando necessidades e à procura de emprego. Se fossem obrigados a trabalhar, mesmo que temporariamente, a tradução iria atrasar-se. Por esse motivo, ficaram profundamente agradecidos pela ajuda oportuna, que consideraram uma dádiva dos céus.

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