Massacre da Montanha Meadows

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Um dos mais trágicos eventos na história Mórmon aconteceu em 11 de setembro de 1857, quando aproximadamente 120 homens, mulheres e crianças, viajando através de Utah para a Califórnia foram massacrados por uma força que consistia de membros da Milícia Mórmon e Indians Paiute do Sul. O masssacre da montanha Meadows, como ficou conhecido, tem se tornado um ponto de interesse e controvérsia, que leva Mórmons e historiadores a tentar entender este evento, enquanto caluniadores da Igreja procuram usá-lo com o propósito de causar polêmica.

Entendendo o contexto Colonização Mórmon Pouco antes de 24 de Julho de 1847, o primeiro grupo de pioneiros Mórmon entrou no Vale de Lago Salgado, UT. Estes Santos foram a primeira vanguarda de membros da Igreja que tinham sido expulsos de Nauvoo, Illinois, por uma turba enfurecida. Na época da primeira colonização, a área que veio a ser conhecida como Utah, ainda pertencia ao México, mas foi cedida aos Estados Unidos no Tratado de Guadalupe Hidalgo, após o fim da guerra México-Estados Unidos no começo de 1840. (O tratado cedeu toda a área que se tornaria Califórnia, Nevada e Utah; bem como parte do atual Texas, Colorado, Arizona, New México e Wyoming.) Durante os dois anos seguintes o restante dos membros da Igreja que tinham sido expulsos de Nauvoo alcançaram o Vale. A grande cidade de Lago Salgado foi construída, e ,sob a direção de Brigham Young, outras colônias foram estabelecidas ao Norte, Sul, Leste e Oeste da cidade. O local desse povoamento era escolhido de acordo com a proximidade de algum importante recurso natural; um desses recursos foi os depósitos de ferro encontrados no local que tornou-se conhecido como a cidade de Iron (Ferro), no Sul de Utah. A continuação do bem-sucedido trabalho missionário no Leste dos Estados Unidos e Europa trouxe constante influxo de conversos Mórmon para as comunidades Mórmons. A população continuou a crescer e a colonização se expandiu em direção ao atual Idaho, Canadá, Nevada, Califórnia, Arizona, wyoming e Norte do México.

A Guerra de Utah Em 1850, Utah foi estabelecido como um território dos Estados Unidos, com Brigham Young como o primeiro governador. Por causa da condição de território, o governo federal retinha o direito de apontar dirigentes em vários níveis, além dos, de fato, líderes federais que existiam dentro do território. Ainda que, sem dúvida, havia servidores públicos honestos entre eles, um número de pessoas indicadas, pelo governo, para cargos federais e territoriais, incluindo juízes, abusavam do poder a eles concedido. Vários escândalos veio à tona, com respeito ao comportamento de alguns desses homens, os quais deixaram o território, vergonhosamente. Invés de assumir a responsabilidade por seus próprios fracassos, um grupo deles, depois de voltar para o Leste, publicaram acusações que tinham sido expulsos e que os Mórmons estavam rebelando-se contra as autoridades federais. Estas reclamações causaram certo tumulto em Washington, onde o iniciante Partido Republicano exigia que alguma coisa fosse feita sobre os Mórmons. Agindo sem o benefício de uma investigação, o presidente americano, James Buchanan, apontou Alfred Cumming como um Governador Territorial e, em 29 de Junho de 1857, ordenou tropas federais para escortar Cumming à Utah. Além do mais, Buchanan ordenou a cessação de todo serviço de correio para Utah, num esforço de promover a vantagem da surpresa para as tropas que avançavam. Apesar dos esforços de Buchanan para manter o avanço das tropas em segredo, os mórmons que trabalhavam para os correios notificaram Brigham Young, no mês seguinte, que as tropas estavam à caminho. Ele não havia sido oficialmente comunicado que tinha sido substituído, então ele viu essa notícia, bem como os esforços de esconder que as tropas estavam à caminho, como um ato de guerra da parte do governo. Brigham instruiu todos os missionários à voltarem para Utah, preparando-se para defender o território contra o exército que estava vindo. Ele enviou um pequeno grupo para intimidar as tropas, com o intento de impedir o avanço das tropas, enquanto ele preparava os Santos para a possibilidade de uma batalha iminente. A notícia da vinda do exército espalhou-se rapidamente através dos grupos de Santos e preparações foram feitas. Muitos dos colonizadores Mórmon ainda lembravam das dificuldades que passaram ao serem forçosamente (e violentamente) expulsos de Missouri, Illinois, e estavam decididos a não serem expulsos de suas casas novamente. O clima no território era severo e determinado. Este conflito, conhecido como a “Guerra de Utah”, foi finalmente resolvido, pacificamente, mas foi nesta tensa atmosfera que o comboio Baker-Fancher entrou em Utah, em agosto de 1857.

O Comboio Baker-Fancher

Baker-Fancher consistia de um comboio seguindo para Califórnia, com emigrantes que começaram a jornada em Arkansas e Missouri. O número exato de pessoas no comboio é estimado em 120, mas alguns reporteres tem mencionado o máximo de 140 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. Liderado por John T. Baker and Alexander Fancher, o comboio estava bem provido de gado, cavalos e mulas. O comboio chegou em Lago Salgado por volta do fim de Julho de 1857 e acampou no sudoeste da cidade, no Rio Jordão. A chegada deles aparentemente não levantou nenhuma suspeita or preocupação, pois não há nenhuma menção à eles nos jornais da época. O grupo foi aconselhado por Elder Charles C. Rich a seguir em direção à Califórnia, contornando a àrea norte do Grande Lago Salgado. À princípio, eles seguiram o conselho e prosseguiram, mas só chegaram ao Rio Bear (urso) e então decidiram pegar a rota Sul. Isto fez com que eles passassem, mais uma vez, pela cidade de Lago Salgado e seguissem para o Sul, passando por Provo, Springville e Payson. Não houve nenhum relato de problemas ocorrido com o grupo Baker-Fancher até que eles chegaram em Fillmore (cerca de 150 kilometros ao Sul da cidade de Lago Salgado). Desse ponto em diante, nas colônias do Sul, houve reclamações que os emigrantes alardearam terem participado de violência contra os Mórmons em Missouri e em Illinois, que eles tinham contaminado um riacho e que ameaçaram destruir uma das colônias Mórmons. Era de conhecimento geral que o comboio tinha vindo de Arkansas, onde no começo do ano o amado Apóstolo Parley P. Pratt tinha sido assassinado, perto da cidade de Van Buren. Rumores existiam que alguns dos membros do grupo tinham participado no assassinato do Élder Pratt, pelo menos era o que alguns professavam, orgulhosamente. Há, também, relatos que alguns dos emigrantes disse para alguns Santos dos Últimos Dias que asim que eles levassem suas famílias para Califórnia, eles voltariam para juntar-se ao exército e ajudar a subjugar os Mórmons. Se existe alguma verdade nesses rumores, com certeza a passagem do comboio Baker-Fancher pelo Sul de Utah não passou despercebido, como teria sido se tivesse passado pelo Norte de Utah. A presença do comboio não fez nada para aliviar a tensão já existente devido a guerra de Utah.

As condições de viagens por terra

Começando com a abertura do Território de Oregon e acelerada pela descoberta de ouro em Califórnia, grande número de emigrantes cruzaram o interior do continente em direção à costa Oeste. Antes da conclusão da ferrovia transcontinental, em 1869, viagem por terra, era tanto difícil como perigosa. Nativos americanos, alarmados pelo crescimento do número de colonizadores brancos passando por suas terras, atacavam, frequentemente, os grupos de emigrantes. As condições do tempo também poderia ser um perigo, com o inverno chegando mais cedo nas partes mais altas do país e repentinas tempestades acontecendo em todas as estações do ano. Para proteger-se contra todos esses perigos, os emigrantes normalmente uniam-se em grandes grupos de carrinhos cobertos, conhecidos como “trens”, puxados por animais. O clima fazia com que a viagem por terra acontecesse de estação em estação, ou seja, os viajantes procuravam completar a viagem durante os meses quentes, porque ser encontrar nas altas planícies ou mesmo nas montanhas durante o inverno seria um erro fatal. As colônias Mórmon, situadas em Utah, era um importante ponto de descanso e reabastecimento para os viajantes que passavam. Uma das mais usadas trilhas para a Califórnia era um desvio da trilha de Oregon, no Norte de Utah, a qual se extendia até o Sul, através de Lago Salgado, e unia-se à antiga trilha Espanhola (Old Spanish trail). Os emigrantes podiam comprar comida e outros abastecimentos, em Lago Salgado e outras cidades, enquanto os animais, tanto de carga como os para provisões, podiam encontrar excelente pasto numa área perto de Cedar City, conhecida como “Las Vegas de Santa Clara” ou “Montanha Meadows”. Era muito comum os grupos de emigrantes acampar lá, por vários dias ou semanas, enquanto os animais descansavam e se preparavam para a cansativa travessia do deserto, ainda por vir.

Os principais participantes

John Doyle Lee nasceu em 12 de Setembro de 1812, em Kaskaskia, Illinois. Foi batizado em 17 de Junho de 1838; serviu várias missões para a Igreja e teria se mudado para Utah em 1850 ou 1851. Na época do massacre, ele era um Major na milícia de Iron e comandante do Quarto Batalhão. Ele foi a única pessoa que foi levado à julgamento pelo envolvimento no massacre. William H. Dame foi, na época do massacre, o comandante do Distrito Militar de Iron, com a patente militar de Coronel. Ele, também, estava servindo como um Bispo na Igreja Mórmon. Ele não participou pessoalmente do massacre, mas foi, pelos padrões militares utilizados na época e atualmente, considerado responsável pelas ações de oficiais e soldados sob o seu comando. Isaac C. Haight era o comandante do Segundo Batalhão da milícia de Iron , com a patente de Major, além de ser o segundo depois do Coronel Dames. Sua posição eclesiástica era Presidente de Estaca. O papel de Haight no massacre é muito complexo; ele estava envolvido nos planejamentos, mas também esforçou-se para parar ou, pelo menos, retardar as ações contra os emigrantes. Os esforços feitos para levar Haight e outros à justiça, depois do massacre, foram inúteis. Philip Klingensmith era um Bispo em Cedar City e um oficial da milícia de Iron. Nesta última posição, ele entregou ordens e mensagens entre vários oficiais da milícia. Ele estava presente no massacre e subsequentemente transformou-se numa testemunha ocular (evidência) para o Estado, mas seu testemunho não foi de grande ajuda para as autoridades.

O Massacre

Quando o comboio Banker-Fancher acampou no Monte Meadows, alguns moradores de Cedar City e adjacências decidiram que alguma ação deveria ser tomada contra os emigrantes. A grande ansiedade trazida pelos rumores a respeito do comboio, o avanço das tropas federal, a grande seca que muitos tiveram que enfrentar naquele ano e a lembrança da violência em Missouri e Illinois levou a comunidade à uma atmosfera explosiva, ainda que os residentes não estavam certos de que tipo de ação deveria ser tomada. Um excelente resumo dos eventos dos dias que precederam o massacre é dado por Robert H. Briggs, no ensaio: “Mountain Meadows and The Craft of History”, publicado em “Sunstone”, em dezembro de 2002. “Por volta de 2 de Setembro de 1857, encontros entre indivíduos do Comboio Fancher e os do acampamento da mina de Ferro Mórmon de Cedar City desencadiou uma reação enfurecida entre os colonizadores Mómon. Na sexta-feira, 4 de Setembro, os líderes da milícia em Cedar City tomaram uma decisão contra a interferência Mórmon com o comboio. Assim, o Major (também presidente de Estaca) Isaac Haight enviou mensageiros para Pinto, uma nova colônia perto da Estrada de Califórnia, diretamente ao oeste de Cedar City. Os mensageiros, Joel White e Philip Klingensmith, levaram ordens que os colonizadores não interferissem com o comboio que estava chegando. Neste meio termo, entretanto, uma reunião fundamental ocorreu naquela mesma noite, em Cedar City, entre o Major Isaac Haight, do Segundo Batalhão, e o Major John D. Lee, do Quarto, da qual resultou um plano para incitar os índios locais, Pauite, a reunir-se no Monte Meadows, com Major Lee como líder. O Major Lee partiu nas primeiras horas do sábado, 5 de Setembro. Evidentemente, ele não teve nenhum outro contato com os líderes da milícia em Cedar City, pela maior parte dos quatro dias seguintes. O Major Lee retornou para casa em Fort Harmony e ficou lá no Sábado e parte do Domingo, fazendo preparativos. Ele partiu para Meadows no domingo e chegou lá no final da tarde ou começo da noite. Outros mensageiros levaram ordens para colônias em lugares mais remotos, cada um transmitindo a mensagem que os índios deveriam reunir-se. Houve certa confusão a respeito de onde, exatamente, esse encontro deveria acontecer. Assim, muitos Paiutes da região de Cedar City e Fort Harmony foram enviados para o Monte Meadows, enquanto outros índios da região do Rio Santa Clara foram incitados à reunirem-se no Canion de Santa Clara (oeste da atual Veyo). Preparativos similares continuaram em Cedar City durante o fim-de-semana, mas foi suspenso na tarde do domingo, 6 de Setembro, porque durante uma reunião regular do Conselho de líderes comunitários da cidade de Cedar e colônias adjacentes, Laban Morrill liderou uma facção a qual opos-se contra o plano do Major Haight. Morril fez o Major Haight prometer que nenhuma ação agressiva seria tomada contra os emigrantes até que eles tivessem procurado o conselho do Presidente Brigham Young. Foi assim que as coisas permaneceram em Cedar City e o plano não se realizou. Tudo isso não era do conhecimento do Major Lee, pois ele estava à caminho da Montanha Meadows, com seu filho adotivo, que era um índio, para servir como intérprete. Eles se encontraram com os índios Paiute na Montanha Meadows, naquela tarde ou início da noite. Uma linha de evidência sugere que o Cânion de Santa Clara, cerca de doze milhas ao Sul da Montanha Meadows, seria o local onde o ataque planejado se daria. No entanto, na segunda-feira, 7 de setembro, bem cedo da manhã, a força auxiliar indígena do Major Lee atacou o acampamento dos emigrantes no lado Sul da Montanha Meadows. Provavelmente, nós nunca saberemos, com certeza, se o Major Lee atacou de acordo com o plano elaborado anteriormente, ou levado por desejo pessoal ou impulso, atacou por iniciativa própria. De uma forma ou de outra, o ataque foi efetuado. Grande movimentação se espalhou por todo Sul de Utah. Em Cedar City, o Major Haight enviou o jovem Inglês, James Haslam, para a cidade de Lago Salgado por ordem do Presidente Young. Major Haight também enviou um correio expresso por Joseph Clews para Amós Thornton ,em Pinto, o qual deveria entregar a Major Lee. Nessa mensagem, o Major Haight ordenava Major Lee a “manter os índios longe dos emigrantes e protege-los de qualquer dano até futura ordem.” Thornton foi para a Montanha Meadows, mas sua procura por Lee foi em vão, pois sem ter conhecimento da vinda de Thornton, Lee tinha partido em direção ao Sul, passando a noite perto do Canio Santa Clara com os homens da milícia Mórmon e os aliados Paiute que ele havia encontrado lá. Esse grupo chegou à Montanha Meadows na terça-feira, 8 de Setembro. Isto era o mais cedo que Lee poderia ter recebido a messagem expressa de que o plano de ataque tinha sido adiado. Houveram outras mensagens expressas entre terça-feira, 8 de setembro, e quinta-feira, 10 de setembro. A mais significante dessas mensagens foi uma do quartel militar em Parowan a qual transmitiu a ambígua ordem de salvar a vida dos emigrantes, entretanto, não causar uma guerra com os índios sob nenhuma circumstâncias”. Em uma reunião em Cedar City, na tarde de 6 de Setembro de 1857, os líderes locais receberam a informação que o comboio, na Montanha Meadows, tinha sido cercado por índios Paiute, os quais estavam determinados a atacar os emigrantes. (Alguns historiadores não sabem por certo se os índios Paiute estavam envolvidos no massacre; alguns afirmam que foram homens-brancos disfaçados de índios.) Os líderes decidiram que precisavam perguntar a Brigham Young o que fazer, então eles dispacharam um cavaleiro, veloz, para Lago Salgado, levando uma mensagem sobre o que se passava. James H. Haslam, o mensageiro, partiu na segunda-feira, 7 de setembro, e cavalgou 300 milhas em pouco mais de três dias. Dentro de uma hora, ele teve uma resposta de Brigham Young e retomou sua jornada de volta para Cedar City. A mensagem de Brigham Young, em parte, dizia: “Em relação ao comboio de imigrantes passando por nossas colônias, nós não devemos interferir com eles até que eles primeiro sejam notificados à manter distância. Vocês não devem intrometer-se com eles. Os índios, nós já esperamos que façam da maneira de quiser, mas vocês deveriam tentar conservar bons sentimentos com relação à eles.” Infelizmente, o mensageiro chegou em Cedar City dois dias depois do massacre, em 13 de setembro de 1857. Enquanto Haslam partia para Lago Salgado, em 7 de setembro, os índios começaram a atacar. Vários emigrantes foram mortos, bem como vários índios, produzindo uma situação de empate forçado. Os emigrantes fizeram um círculo ao redor do comboio e fizeram covas para atirar, usando rifles. Os índios, então pediram reforços às adjascências do interior e à John D. Lee, um fazendeiro da área que tinha um bom relacionamento com os índios. De acordo com testemunho de Lee, mais tarde, no tribunal, os índios tinham pedido ajuda com o ataque, mas Lee enviou uma mensagem para Cedar City, em 10 setembro, perguntando o que deveria fazer. É aí que a exatidão dos acontecimentos se torna um esboço. A maioria dos relatos é dada por Lee e a veracidade de seu testemunho é ,naturalmente, suspeitosa. Ele indicou que havia uns poucos índios e colonizadores brancos, os quais tinham se juntado ao grupo, do lado de fora do cerco. Na noite de 10 de setembro e no dia seguinte, os homens-branco discutiram o que fazer. Parece que um incidente que influenciou na decisão do ataque foi que, na noite anterior, um dos emigrantes foi morto por homens-brancos. Dois homens da companhia de Baker-Fancher teria deixado o acampamento, fugindo do cerco, em direção à Cedar City para pedir ajuda. Com poucas milhas de distância do acampamento, esses homens teriam encontrado três homens-brancos, a quem eles pediram ajuda. Esses homens, no entanto, teriam atacado os emigrantes. Um foi morto e o outro conseguiu voltar para o acampamento. Como pode essa notícia se transformar num fator decisivo no massacre dos emigrantes? Não há dúvida que a notícia de que tanto índios como homens-brancos, Mórmons, estavam atacando os emigrantes não foi bem recebida. Se algum emigrante escapasse para Califórnia e contasse a história, o preconceito contra os Mórmons, que já era bem grande, seria instigado e haveria uma maior probabilidade de que a força militar seria enviada para as colônias do Suldoeste. Enfrentar um exército do Leste seria suportável, mas enfrentar exércitos tanto do Leste como do Oeste seria insuportável. Tais razões, obviamente, não desculpam a decisão tomada pelos homens-brancos na área; apenas dar uma maneira de entender um pouco agitação e histeria que envolvia aqueles daquela área. A decisão de destruir todos aqueles, acima de sete anos de idade, no comboio Baker-Fancher, aparentemente, foi tomada na manhã do dia 11 de Setembro. Para causar o mínimo de perda possível entre os homens-brancos, foi decidido atrair os emigrantes para fora do círculo do comboio, para campo aberto. Nas palavras de B. H. Roberts, “A concepção foi diabólica, a execução foi horrível; e a responsabilidade por ambas deve recair sobre aqueles homens que o conceberam e o executaram, porque quer tenha sido ou não a iniciativa dos índios de atacarem os emigrantes, a responsabilidade por esse massacre, deliberadamente planejado, não recai sobre eles. Assim, em 11 de setembro, uma bandeira de trégua foi carregada para o comboio de Baker-Fancher, por William Bateman. Ele foi recebido no lado de fora do acampamento por um dos emigrantes, Sr. Hamilton, e um acordo foi feito por John D. Lee para falar com os emigrantes. Lee apresentou-lhes um plano para ajudá-los a passar pelos índios. O plano consistia de os emigrantes entregar suas armas, colocar os feridos nas carroças, seguidos pelas mulheres e as crianças mais velhas, com os homens trazendo a parte trazeira da companhia ordenados em uma única fila. Em troca pela complacência com esses termos, os homens-brancos dariam aos emigrantes um seguro retorno à Cedar City onde eles seriam protegidos até que pudessem continuar a jornada para Califórnia. Os emigrantes concordaram, as carroças foram trazidas à frente e carregadas com os feridos e as armas, assim, uma procissão começou em direção a Cedar City. Com uma curta distância, um homen-branco, armado, foi posicionado próximo de cada adulto da companhia de Baker-Fancher, ostensivamente por proteção. Quando todos estavam em seus lugares, um sinal predeterminado foi dado e cada homen- branco, armado, virou-se e atirou, matando todos os membros da companhia Baker-Fancher. Dentro de três a cinco minutos o massacre de todos os homens, mulheres e crianças mais velhas foi concluído. Os únicos membros do grupo original que restaram foram aqueles que foram julgados ter menos de oito anos de idade, totalizando cerca de 17 crianças.

O resultado: investigações e julgamento

Depois do massacre, líderes locais tentaram atribuir as mortes `a um ato isolado dos índios. Este esforço começou quase imediatamente, com o relatório de John D. Lee à Brigham Young. Contudo, não demorou muito, para que viesse `a tona que os índios não teriam sido os únicos participantes do massacre, mas que haviam brancos envolvidos. Em resposta às acusações de que homens-brancos estavam envolvidos, Brigham Young pediu que o Governador Cumming investigasse o assunto, completamente. Entretanto, o governador afirmou que se os brancos estivessem envolvidos, eles seriam perdoados sob a anestia concedida, pelo governador ao Mórmons, em junho de 1858. Esta anestia foi assinada durante a administração do Presidente James Buchanan, e encobria todos os atos hostis contra os Estados Unidos, por qualquer pessoa, durante o curso da Guerra de Utah. A maioria dos historiadores reconhece que houve um encobrimento, local, do massacre. Mas, há discordância com respeito ao grau de envolvimento dos líderes de alta posição da Igreja. Alguns concluíram que Brigham Young estava involvido no encobrimento, mas outros argumentam que as evidências não suportam tal conclusão. A melhor evidência disponível apresenta dois níveis de encobrimento: (1) negação de culpa pelos participantes do massacre, incluindo tentativa de colocar a culpa nos índios, outrora aliados, e (2) as tentativas dos Mórmons não envolvidos no massacre, de proteger os envolvidos das perseguições e busca. Essa atitude não se deu por causa da aprovação ao massacre, e, de fato, era normalmente empreendida sem o conhecimento da culpa daqueles sendo protegidos. Na verdade, isso refletia o sentimento de solidariedade da comunidade em contraposição ao poder coercivo de um governo, frequentemente, hostil; além de uma profunda desconfiança da intenção ou habilidade das autoridades dos Estados Unidos em assegurar que os acusados Mórmons recebessem um julgamento justo. As acusações de qualquer outro encobrimento substancial, quer pela Igreja Mórmon como uma instituição, quer pelos líderes eminentes, não tem apoio nas evidências disponíveis. Consequentemente, quando mais informações vieram à tona, alguns dos principais participantes foram excomungados da Igreja. Um deles, John D. Lee, foi considerado culpado de assassinato, pelo tribunal federal, depois de vinte anos e dois julgamentos. O primeiro julgamento aconteceu em 1875, perante o juiz, antimórmon, Jacob Boreman. O demandante era um ainda mais notório antimórmon, chamado R. N. Baskin. Este oficial falhou em, apropriadamente, apresentar o caso contra Lee, apresentando muito pouca evidência contra ele, concentrando-se principalmente na tentativa de provar a cumplicidade de Brigham Young no massacre. Este julgamento terminou num júri suspenso. O segundo julgamento de Lee ocorreu no ano seguinte. O demandante foi o representante de distrito dos Estados Unidos, Summer Howard, e Boreman foi novamente o Juiz Presidente. Dessa vez, o caso foi apresentado apropriadamente, o júri ouviu esmagadora evidência comtra Lee, o qual foi devidamente convicto e sentenciado à morte por seu crime. Em 23 de março de 1877, Lee foi executado na Montanha Meadows e enterrado em Panguitch, Utah. Embora outros Mórmons eram tão culpados quanto Lee (pois ele não agiu sozinho), ele foi o único executado. O longo tempo entre o massacre e julgamento de Lee é um dos fatos que alguns usam como prova das acusações de um encobrimento institucional. Entretanto, a verdadeira razão por essa demora é um pouco diferente. Como foi mencionado, anteriormente, o governador Alfred Cumming acreditava que o massacre foi encoberto pela Anistia de Utah, tornando, assim, qualquer investigação, parecer sem propósito. Esta crença foi compartilhada por membros das autoridades legais eminentes, incluindo alguns ligado ao poder executivo em Utah. As tentativas, de alguns juízes, tais como John Cradlebaugh, de conduzir a investigação e acusação do crime em Utah, além de conduzir “cruzadas”contra a Igreja Mórmon, na verdade, invés de ajudar, prejudicou ainda mais os esforços de investigação e acusação.

Uma outra  reclamação proposta foi que Lee foi o bode expiatório, e que algum tipo de acordo corrupto existiu entre os líderes da Igreja  e as autoridades territoriais para ninguém mais ser processado. Entretanto, os registros não suporta esta idéia. Depois da execução de Lee, as autoridades territoriais queriam continuar as investigações, visando trazer mais de um culpado à justiça. Correspondência oficial mostra que uma reconpensa foi oferecida pela captura de Isaac C. Haight, William Stewart e John Higbee, todos supeitos de participarem do planejamento e/ou execução do massacre, e essa recompensa foi válida por, pelo menos,  7 anos. Lee não foi julgado como um bode expiatório, mas como uma pessoa que causou e, de fato, matou 5 pessoas.

( Para informação adicional, ver Robert D. Crockett, "A Trial Lawyer Reviews Will Bagley's Blood Of The Prophets," The FARMS Review 15/2, 2003, 199-254.)

Relatos Polêmicos

Tão logo as notícias do massacre chegou ao Leste dos Estados Unidos, os inimigos da Igreja começaram a explorá-las com o propósito de causar polêmica. O conteúdo de vários relatos polêmicos do massacre variam, consideravelmente, mas a intenção é sempre, em todos eles, a mesma: explicar o massacre como consequência da doutrina, crenças, práticas ou cultura da Igreja Mórmon, portanto, destrutivos das suas professas verdades. Quando B. H. Roberts escreveu sobre o massacre da Montanha Meadows, em sua História Compreensiva da Igreja, ele afirmou que ele: “reconhece o massacre da Montanha Meadows como um dos mais difíceis assuntos com os quais ele tem que lidar nesta história. Difícil porque é quase impossível retirar a verdade absoluta do caso diante de uma massa de afirmações conflitantes, feitas por testemunhas próximas do caso. É igualmente difícil conciliar as diferenças entre os diferentes partidos. Escritores antimórmons estavam dispostos a atribuir o crime à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja Mórmon) ou, pelo menos, sobre os seus líderes, sustentando que de alguma forma a política da doutrina e da Igreja Mórmon era responsável pelo crime. Por outro lado, as pessoas da igreja que, em boa consciência e justamente, ressente esta imputação contra a Igreja e os seus líderes, tem sido, naturalmente, lentos em admitir todos os fatos que a história insiste como sendo inevitável. [B.H. Roberts, Comprehensive History of the Church, Volume 4 (Salt Lake City: Deseret Book Company, XXXX), 139.] A maioria dos estudiosos e historiadores são rápidos em admitir que nós não temos todos os fatos relacionado com o massacre e, provavelmente, nunca os teremos. Entretanto, isso não impediu algumas pessoas, com o propósito de causar polêmica, de usar generalidades para denigrir a Igreja e seus primeiros líderes relacionado com os crimes de setembro de 1857. Houve muitos relatos dos eventos que ocorreu em relação ao massacre da Montanha Meadows, de forma que poderia encher uma pequena biblioteca com material pertinente à esse caso, mas talvez o mais bem-conhecido dos atuais e polêmicos relatos são: (1)Will Bagley, Sangue dos Profetas: Brigham Young e o Massacre da Montanha Meadows.. Este artigo contesta que Brigham Young tenha, de fato, ordenado o massacre do grupo Fancher. Bagley se apoia em uma interpretação de algumas novas evidências, incluindo minutas de uma reunião que se deu entre Dimick Huntington e alguns chefes indígenas do sul de Utah em 1 de setembro de 1857, dez dias antes do massacre. Os poucos minutos (na verdade, uma entrada de um diário escrita depois do fato) indicou que o propósito da reunião, assim como reuniões similares realizada nos poucos dias anteriores, foi para alistar os índios aliados contra as tropas que estavam à caminho, e não contra o emigrantes da companhia Fancher. Embora o objeto de evidência seja novo, a tese a que se presta como prova, de fato, data do século XIX. Por exemplo, Ann Eliza Webb Dee Young Denning, em seu livro “Wife No. 19, acusava Brigham Young de ter ordenado o massacre para que pudesse apoderar-se da propriedade das vítimas. (2)Sally Denton, Massacre Amercano: A Tragédia da Montanha Meadows, Setembro 1857. Este livro tenta mostrar que os índios não tem nada a ver com o massacre, mas que cada parte dele foi executado exclusivamente por homens-brancos. Isto também repete um tema do século XIX. Mark Twain em “Roughing It” sugere que os índios participantes do massacre, eram, na verdade, homens-brancos disfarçados de índios. Alguns temas continuam a reaparecer nos relatos polêmicos do massacre. A afirmação de que esse tenha sido o pior massacre na história Americana é muito comum. Acusações de cumplicidade direta da parte de Brigham Young e subsequente encobrimento, ou mesmo de John D. Lee ter sido usado como bode-expiatório são, também, bem comuns. Talvez, o seguinte comentário relativo ao involvimento de Brigham Young seja instrutivo: “Quando eu era um rapaz, eu trabalhava no prédio da loja da Ordem Unida, que ficava na Main Street (Rua Principal), em Logan, Utah. Comumente conhecida como O.U. De esquina, situava-se uma filial da Cooperativa Mercantil de Zions, à meio quarteirão de distância. Uma de minhas tarefas era levar o excesso de ovos e manteiga, objetos de trocas naqueles dias, para a casa de ovos e manteiga da cooperativa. Era um prédio pequeno quase nos fundos do prédio da cooperativa. O encarregado era um homen que, aos meus olhos de menino, parecia velho, talvez em seus sessenta anos. Seu nome era James Holton Haslam. Nós nos tornamos amigos. Desejoso de aprender, eu descobri que ele era o mensageiro que viajou ida e volta de Lago Salgado para Parowan para ajudar Presidente Young a estabelecer sentimentos amistosos entre os emigrantes, os colonizadores e os índios; estes últimos já estavam começando a ficar inquietos. Ele descreveu, detalhadamente, sua viagem de Cedar City para Salt Lake cavalgando tres mil milhas em tres dias, para avisar Presidente Young os problemas que o comboio estava por enfrentar no Sul. Brigham Young ficou grandemente preocupado. Dentro de poucas horas depois de sua chegada, Irmão Haslam foi, novamente, na incubência de instruir o povo de Parowan e comunidades adjascentes a fazer tudo que fosse possível para proteger os imigrantes. Quando ele chegou em Parowan, o massacre já havia ocorrido. Ele chegou muito tarde! Ele descreveu em detalhe sua reunião com Presidente Young. Enquanto ele narrava os eventos do massacre, da maneira como ele ficou sabendo ( e ele teve oportunidade de conhecê-los intimamente), Presidente Young chorou, pois ele havia feito tudo em seu poder para prevenir qualquer tragédia. Ele sabia que se ele falhasse, o seu povo, que havia sido treinado para viver em paz e dar amor em resposta ao ódio, seria acusado de ter cometido aquele crime. Ele sofreu perseguições com o seu povo por muitos anos, portanto ele entendia o horror de tirar vidas. Os Santos dos Últimos Dias tinham sido perseguidos e expulsos de um lugar para outro desde o começo da Igreja. Ele e seu povo oraram por paz para continuar o trabalho de redemir o deserto para uso humano. Este terrível massacre iria apenas intensificar o ódio contra os Santos dos Últimos Dias. Com bastante veemência, Brother Haslam defendeu Brigham Young, da mesma forma como fez em tribunal e em outros lugares, contra as acusações de ter sido cúmplice do ato criminoso do massacre da montanha Meadows. Ele foi muito convincente para me; e um rapaz não é fácil de enganar. Quando, mais tarde, eu li o testemunho de Brother Haslam, na forma de pergunta e resposta, publicada no Jornal de Logan, Utah, em 4 de dezembro de 1874, eu fiquei mais do que convencido que ele disse a inteira e absoluta verdade, e que Brigham Young era inteiramente inocente de qualquer cumplicidade com aqueles que cometeram o massacre da Montanha Meadows. Observe um trecho extraído do longo testemunho que cobria duas páginas do jornal. Aparentemente, ele chegou em Salt Lake de manhã e encontrou Presidente Young em seu escritório, numa reunião de conselho com seus irmãos da Igreja. Depois de ler a mensagem, Brigham Young perguntou se ele poderia viajar de volta, caso pudesse, que ele deveria descansar e recomeçar a sua viagem de volta ao meio-dia. “Ele (Presidente Young) disse que os índios deveriam ser mantidos distantes dos emigrantes a todo custo, mesmo que custasse todo o ferro da cidade de Iron para protegê-los. Ele sentiu o problema fortemente. Seus olhos encheram de lágrimas”, disse Brother Haslam. Seria difícil enganar Brother Haslam. Eu acredito nele, e nas muitas outras evidências, invés de acreditar naqueles que, em épocas distantes, estão criando suas próprias teorias. Brigham Young não foi responsável pelo massacre da Montanha Meadows. [John A. Widtsoe, “Was Brigham Young responsible for the Mountain Meadows massacre, “ Improvement Era (August 1951)]

A cura com o tempo

Os eventos que transcorreram durante o massacre da Montanha Meadows ficou (e deveria ter ficado) em infâmia; não há explicações que justifiquem o assassinato que ocorreu naqueles cinco dias em setembro e nós não podemos entendê-los completamente. Nas palavras de um estudioso, “a verdade completa e absoluta dos fatos pode, provavelmente, nunca ser avaliada por nenhum ser humano; tentativas de entender as forças as quais culminaram naquela tragédia são todas, no mínino, muito inadequadas.[Juanita Brooks, The Mountain Meadows Massacre, Revised Edition (Norman, Oklahoma: University of Oklahoma Press, 1991), 223.] Apesar da tragédia, muitos esforços têm sido feitos para sarar as feridas gravadas profundamente na mente coletiva dos Americanos, há 150 anos. Nos anos 80, descendentes das vítimas e dos culpados reuniram-se para começar unir o que estava dividido e fazer as pazes com o passado. Numa série de reuniões, as sementes da confiança foram plantadas e um esperançoso senso de acordo começou a florescer. Em 15 de setembro de 1990, muitos desses descendentes reuniram-se na Montanha Meadows para dedicar um memorial e um marco àqueles que morreram, lá. O novo memorial foi uma nova versão da rocha original, construída no local, por uma expedição militar, sob a direção do Major James H. Carleton cerca de dois anos depois do massacre. Mais recentemente, no aniversário de 150 anos do massacre (11 de Setembro de 2007), o então Elder Henry B. Eyring foi permitido falar e ofereceu a oração “Possa o Deus dos céus, cujos filhos e filhas todos nós somos, ajudar-nos a honrar aqueles que morreram aqui, extendendo uns aos outros o puro amor e espírito de perdão o qual Seu Filho Unigênito personificou.”

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