Marcha em Direcao a Siao

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Em 10 de maio, o dia designado para o início da marcha de 1.600 quilômetros até o acampamento para reaver suas terras, apenas vinte pessoas estavam prontas para partir. Joseph Smith enviou-as a oitenta quilômetros para o sul, até New Portage, onde deveriam esperar a chegada dos outros irmãos.

Em 4 de maio, domingo, mais de oitenta voluntários reuniram-se em Kirtland. Eram quase todos rapazes. Alguns estavam com medo do que iriam enfrentar. Heber C. Kimball disse: "Despedi-me de minha esposa, amigos e filhos, sem saber se iria encontrar com eles novamente nesta vida". Naquele dia, o Profeta falou aos santos de Kirtland antes de partir. George A. Smith escreveu: "Ele deixou clara a necessidade de serem humildes, exercendo a e a paciência, e vivendo em obediência aos mandamentos do Todo-Poderoso. Ele também prestou testemunho da veracidade da obra que Deus havia revelado por meio dele e prometeu aos irmãos que se fizessem tudo o que deles era esperado perante o Senhor, e guardando Seus mandamentos todos retornariam em segurança".

No dia seguinte, Joseph Smith assumiu seu cargo de comandante supremo do exército. Os oitenta homens reuniram-se aos vinte irmãos que estavam em New Portage, tarde da noite no dia 6 de maio de 1834. O Profeta então organizou o acampamento. Dividiu-o em companhias de dez e de cinqüenta, instruindo cada grupo a eleger um capitão, que deveria designar a cada homem em suas responsabilidades. Um dos recrutas, Joseph Holbrook, relatou que o acampamento foi organizado "de acordo com a antiga ordem de Israel".

Os homens também juntaram todo o seu dinheiro em um fundo geral, que seria administrado por Frederick G. Williams, segundo conselheiro na Primeira Presidência, que foi designado como pagador. A idade média dos recrutas era vinte e nove anos, a idade de seu líder, Joseph Smith. George A. Smith, primo do Profeta, era o mais jovem, com dezesseis anos, e Samuel Baker, o mais velho, com setenta e nove.

Em 8 de maio, o exército de Israel iniciou sua longa marcha para oeste. Por toda a sua jornada, o acampamento foi gradativamente reforçado por mais voluntários, armas, suprimentos e dinheiro. Os oficiais continuaram a recrutar ajuda entre os Santos dos Últimos Dias que moravam em Ohio, Indiana e Illinois. Quando o Acampamento de Sião cruzou o rio Mississipi, entrando em Missouri, contava com 185 pessoas. Em 8 de junho, no rio Salt, em Missouri, onde Joseph Smith havia combinado se encontrar com a companhia de Hyrum Smith, o exército atingiu seu contingente máximo: 207 homens, 11 mulheres, 11 crianças e 25 carroções de carga.

Em muitos aspectos, a rotina diária do Acampamento de Sião era semelhante a de outros exércitos. A maioria dos homens capazes andava ao lado de carroções carregados, ao longo de estradas lamacentas e poeirentas. Muitos deles carregavam mochilas e levavam armas. Não era incomum marcharem mais de 55 quilômetros por dia, apesar dos pés feridos, do calor insuportável, das chuvas pesadas, da grande umidade, da fome e da sede.

Guardas armados ficavam de vigia em volta do acampamento à noite. Às 4:00 da manhã, o trompeteiro acordava os homens sonolentos fazendo soar o toque de despertar numa velha e bastante usada corneta.

Cada companhia reunia-se para orar, depois cuidavam de suas respectivas designações. Alguns membros da companhia recolhiam lenha, outros carregavam água, preparavam as refeições e desmontavam as barracas. As rodas dos carroções precisavam ser engraxadas, os animais precisavam ser alimentados e tratados antes de serem atrelados para a jornada do dia. A alimentação era um dos problemas mais persistentes do acampamento. Os homens eram muitas vezes forçados a comer uma minguada porção de pão duro, manteiga rançosa, mingau de fubá, mel, carne de porco crua, presunto estragado e bacon e queijo infestados de vermes.

George A. Smith escreveu que passava fome a maior parte do tempo: "Eu me sentia tão fraco, faminto e sonolento que chegava a sonhar enquanto caminhava ao longo da estrada, imaginando ver um lindo riacho junto a uma sombra agradável, com um belo pedaço de pão e uma garrafa de leite sobre uma toalha estendida ao lado da nascente".

De vez em quando, os homens bebiam água do pântano, depois de coar para remover as larvas de mosquitos. O leite e a manteiga eram muitas vezes adquiridos de fazendeiros locais, que não seguiam normas de higiene, o que deixava os integrantes do acampamento temerosos de contrair doenças, febres ou até mesmo morrer. Joseph Smith, porém, alertava-os de que a menos que tivessem notícia de que o leite estava contaminado, deveriam "usar tudo o que puderem adquirir de amigos ou inimigos, pois não lhes faria mal; e ninguém ficaria doente em conseqüência disso. E apesar de passarmos por regiões em que muitas pessoas e animais estivessem doentes, minhas palavras foram cumpridas".

Em muitas ocasiões, Joseph Smith ensinou os integrantes do acampamento a conservar os recursos naturais e evitar matar os animais. Em uma determinada tarde, enquanto se preparava para armar sua tenta, Joseph e outros homens encontraram três cascavéis. Quando os homens preparavam-se para matá-Ias, o Profeta disse: "Deixem-nas em paz! Não as machuquem! Como se pode esperar que a serpente perca seu veneno, se os servos de Deus agem da mesma forma e estão sempre procurando combatê-Ias? É preciso que os homens se tornem inofensivos, antes que os animais o façam". As serpentes foram cuidadosamente transportadas por meio de varas até o outro lado de um riacho, onde foram libertadas. Joseph instruiu os homens do acampamento a evitarem matar animais, a menos que fosse necessário para não morrerem de fome.

Ao contrário de muitos exércitos, o Acampamento de Sião dava muita ênfase à espiritualidade. Além das orações realizadas nas companhias, os homens eram admoestados a orar em particular todas as manhãs e noites. Nos domingos, o acampamento descansava, realizava reuniões e partilhava do sacramento. Freqüentemente tinham o privilégio de ouvir o Profeta ensinar as doutrinas do reino. Os integrantes do acampamento acreditavam que o Senhor os estava acompanhando. O Profeta relatou:

"Deus estava conosco, e Seus anjos seguiam adiante de nós, e a fé do nosso pequeno grupo era inabalável. Sabemos que os anjos nos acompanhavam pois nos pudemos ver" .

Em 2 de junho de 1834, o exército atravessou o rio Illinois, na balsa Phillips. O profeta e alguns outros homens caminharam ao longo da ribanceira e encontraram um enorme monte, com vários ossos humanos espalhados em volta, e o que parecia ser as ruínas de três antigos altares. Cavando um buraco, encontraram um grande esqueleto humano com uma flecha de pedra entre as costelas. Quando os irmãos afastaram-se do monte, o Profeta procurou o Senhor em oração e ficou sabendo por meio de uma visão que aqueles eram os resquícios de um homem chamado Zelph, um antigo chefe guerreiro Lamanita, que foi morto "durante a última grande batalha entre os Lamanitas e Nefitas".

O Senhor também abençoou o acampamento permitindo que viajasse em segurança em meio a situações ameaçadoras. Os integrantes do acampamento geralmente procuravam ocultar sua identidade e os objetivos de sua marcha. Ocasionalmente o exército parecia maior ou menor do que era na realidade, aos olhos daqueles que procuravam determinar sua força. Nas proximidades de Dayton, Ohio, vários homens entraram no acampamento e concluíram que havia seiscentos soldados ali reunidos. Quando o acampamento cruzou o rio Illinois, o balseiro imaginou que houvesse quinhentos homens na companhia. Quando enfrentaram oposição em Indianapolis, Joseph assegurou aos irmãos de que conseguiriam passar pela cidade sem que ninguém os percebesse. Ele dividiu os homens em pequenos grupos, que se dispersaram, seguindo por caminhos diferentes, e atravessaram a comunidade sem ser notados.

Ainda assim, apesar de todos os inimigos em potencial, o problema mais vergonhoso do acampamento foram brigas e discussões internas. Muitos homens temiam os possíveis perigos, alguns reclamavam das mudanças em seu estilo de vida e uns poucos questionavam a decisão de seus líderes.

Por quarenta e cinco dias, marcharam juntos, e os inevitáveis choques de personalidade foram aumentados pelas duras condições que tiveram de enfrentar. Os queixosos freqüentemente culpavam Joseph Smith por seu desconforto.

Sylvester Smith (sem qualquer parentesco com o Profeta), um capitão de grupo de língua afiada, freqüentemente comandava a dissensão. Ele reclamava que a comida era ruim, que os preparativos da viagem haviam sido inadequados e que o cão de guarda de Joseph não o deixava dormir à noite. Na noite de 17 de maio, Joseph foi chamado para resolver uma briga entre alguns dos irmãos.

Ele disse que sentiu um "espírito rebelde em Sylvester Smith e, em certo grau, nos outros também. Disse que teriam infortúnios, dificuldades e problemas pela frente e declarei que 'saberiam disso antes de deixarem aquele lugar'. Exortei-lhes a humilharem-se perante o Senhor e tomarem-se unidos, para que não fossem castigados". No dia seguinte, a profecia cumpriu-se: quase todos os cavalos ficaram doentes ou mancos. O Profeta prometeu que se todos se humilhassem e resolvessem suas diferenças, os animais imediatamente recobrariam a saúde. Por volta da hora do almoço, todos os cavalos estavam saudáveis novamente, com exceção do cavalo de Sylvester Smith, que morreu logo em seguida.

Houve novas contendas quando Sylvester Smith ameaçou matar o cachorro de Joseph. Em 3 de junho, bastante desanimado, Joseph Smith subiu em uma roda de carroça e repreendeu os homens por sua falta de humildade, suas reclamações e críticas: "Disse que o Senhor havia-me revelado que um castigo cairia sobre o acampamento em decorrência da atitude irascível e rebelde que havia entre eles, e que iriam morrer como ovelhas doentes; no entanto, se eles se arrependessem e se humilhassem perante o Senhor, o castigo, em grande parte, seria desviado; mas, assim como vive o Senhor, os membros do acampamento iriam sofrer por darem vazão a seu temperamento rebelde".

Tentativas de Estabelecer a Paz.

Essa triste profecia seria cumprida em poucas semanas. Os anti-mórmons do condado de Jackson ficaram sabendo da aproximação do exército em junho, quando o chefe do correio de Chagrin, Ohio, escreveu a seu colega de Independence: Os mórmons desta região estão organizando um exército para resgatar Sião, ou seja, para reaver suas terras pela força".

Acreditando que uma invasão mórmon era iminente, as tropas do condado de Jackson começaram a reunir-se, e foram colocadas sentinelas ao longo do rio Missouri. Num espírito de vingança, esperando talvez desencorajar a volta dos santos, os revoltosos incendiaram 150 casas que pertenciam aos mórmons que moraram no condado. Os membros do Acampamento de Sião suspeitavam ter sido seguidos por espiões de Missouri por centenas de quilômetros.

Certa noite, um morador de Missouri foi ao acampamento e jurou que sabia que rumavam para o condado de Jackson, mas que nunca cruzariam o rio Mississipi com vida.

Nesse ínterim, os líderes da Igreja do condado de Clay continuavam a pedir ao governador Daniel Dunklin a garantia de que iria apoiar os santos em sua tentativa de voltar a seus lares, recuperar suas propriedades e viver em paz no condado de Jackson. O governador reconheceu que os santos haviam sido injustiçados ao serem expulsos de suas casas, e procurou fazer com que as armas tiradas dos santos quando foram expulsos do condado de Jackson em novembro lhes fossem devolvidas. Além disso, ele reconheceu que um exército armado enviado pelo estado seria necessário para que as terras dos mórmons fossem devolvidas e eles fossem protegidos, enquanto os tribunais decidiam a respeito das questões legais envolvidas.

Assim que o Acampamento de Sião chegou a Missouri, Joseph Smith enviou os Élderes Orson Hyde e Parley P. Pratt para Jefferson City, capital do estado, para saber ao certo se o governador Dunklin ainda estava disposto a manter sua promessa de levar os santos de volta ao condado de Jackson com a ajuda da milícia estadual. A entrevista foi uma grande decepção. Dunklin alegou que a convocação da milícia provavelmente faria com que o estado entrasse em guerra.

Aconselhou os irmãos a evitar derramamento de sangue abrindo mão de seus direitos, vendendo suas terras e se estabelecendo em outro lugar. Isso era inaceitável para a Igreja. O governador então os aconselhou a apelar aos tribunais, mas os irmãos sentiram que ele sabia que isso era inútil. Havia anti-mórmons entre as autoridades dos tribunais do condado, por isso era como recorrer a um bando de ladrões a fim de recuperar propriedades roubadas. Parley P. Pratt também ficou convencido de que o governador era covarde e estava moralmente obrigado a demitir-se do cargo por não se portar à altura dos deveres de seu cargo.

O Élder Pratt e o Élder Hyde voltaram para junto do Acampamento de Sião, que continuava a avançar. Seu relatório destruiu toda esperança de que os santos de Missouri obtivessem permissão de voltar a suas casas de modo pacífico. Os irmãos também se deram conta de que os anti-mórmons queriam destruir todos os mórmons que tentassem estabelecer-se no condado de Jackson.

O Profeta invocou a Deus como testemunha da justiça da causa dos santos e a sinceridade de seus juramentos. Com raiva e frustração devido à decisão do governador, o Acampamento de Sião prosseguiu sua marcha.

Enquanto isso, o juiz John J. Ryland, do condado de Clay, marcou uma reunião para 16 de junho no tribunal de Liberty. Um comitê de cidadãos do condado de Jackson e representantes da Igreja do condado de Clay deviam encontrar-se numa tentativa de resolver o conflito. Uma enorme e tumultuada multidão reuniu-se.

Os que não eram mórmons propuseram comprar em trinta dias todas as propriedades que os santos tinham no condado de Jackson a um preço determinado por três árbitros isentos ou fazer com que os mórmons comprassem toda as suas propriedades no mesmo período de tempo. Era uma proposta irreal. Os santos não tinham dinheiro suficiente para comprar sequer uma fração das terras possuídas pelos não-mórmons, e não podiam vender a terra de Sião porque haviam sido ordenados pelo Senhor a comprar a terra e estabelecerem-se nela.

Esse fatos, naturalmente, eram de conhecimento dos anti-mórmons. As disposições inflamaram-se quando o representante do condado de Jackson, Samuel Owens, jurou que os missourianos iriam lutar por todo centímetro de terra em vez de deixar os santos retornarem.

"Um ministro batista ( ... ) disse: 'Os mórmons já moraram por bastante tempo no condado de Clay. Eles devem sair ou serem expulsos.'

"O Sr. Turnham, moderador do debate, respondeu com muita sabedoria, dizendo: 'Sejamos republicanos; honremos nosso país e não o desgracemos como fizeram os habitantes do condado de Jackson. Pelo amor de Deus, não privem os mórmons de seus direitos nem os expulsem. Eles são melhores cidadãos do que muitos de nossos antigos moradores' ."

O comitê mórmon preparou uma declaração explicando que os santos não dariam início a hostilidades, prometendo dar uma resposta à proposta do condado de Jackson no prazo de uma semana. Logo depois disso, os santos prepararam uma contra-proposta sugerindo que um comitê imparcial determinasse o valor das propriedades dos moradores do condado de Jackson que se recusassem a viver ao lado de santos dos últimos dias, e que os santos comprassem essas propriedades no prazo de um ano. E, mais importante, os santos prometeram ficar fora do condado de Jackson até que todo o pagamento tivesse sido feito. Essas negociações, infelizmente, foram inúteis.

Em 18 de junho, o Acampamento de Sião parou a menos de dois quilômetros de Richmond, sede do condado de Ray. Quando o exército armou acampamento, o Profeta pressentiu perigo. Foi até um bosque para orar pedindo segurança e recebeu a certeza de que o Senhor os protegeria. Joseph fez com que o acampamento se levantasse de madrugada e partisse sem fazer oração nem tomar o desjejum. Enquanto passavam por Richmond, uma escrava negra contou com grande ansiedade a Luke Johnson: "Há um grupo de homens esperando em emboscada, que pretendem matar a todos esta manhã quando passarem por aqui". Eles não encontraram resistência, apesar de avançarem apenas 15 quilômetros, sendo atrasados por rodas de carroções quebradas.

Em vez de chegar a seu destino em Liberty, acamparam nos limites do condado de Clay, num monte que ficava no entroncamento do rio Fishing. Quando Joseph soube que o populacho preparava-se para os atacar, ajoelhou-se e orou novamente pedindo a proteção divina. Os temores de Joseph foram confirmados, quando cinco missourianos armados cavalgaram até o acampamento, gritando imprecações e jurando que os mórmons "veriam o inferno antes do amanhecer". Alardearam que havia quase quatrocentos homens vindos dos condados de Ray, Lafayette, Clay e Jackson e estavam preparando-se para cruzar o rio Missouri na balsa Williams para destruir completamente os mórmons.

Ouviram-se disparos e alguns homens quiseram fugir, mas o Profeta prometeu-lhes que o Senhor os protegeria. Joseph declarou: "Aquietai-vos e vêde a salvação de Deus".

Poucos minutos depois que os missourianos partiram, uma pequena nuvem negra surgiu no límpido céu a oeste. Ela moveu-se para leste, desenrolando-se como um pergaminho, enchendo o céu de escuridão. Quando a primeira balsa de revoltos os cruzou o rio Missouri para o sul, uma súbita tempestade tornou quase impossível o barco retornar para transportar outro grupo. A tormenta foi tão intensa que o Acampamento de Sião abandonou suas barracas e procurou abrigo numa velha igreja batista nas proximidades. Quando Joseph Smith entrou, ele exclamou:

"Homens, existe um significado no que está acontecendo. Deus está nessa tempestade". Era impossível dormir, por isso o grupo cantou hinos e descansou nos toscos bancos de madeira. Um dos integrantes do acampamento relembra que "naquele momento, todo o horizonte estava iluminado por terríveis relâmpagos".

Em outro lugar, os revoltosos procuraram abrigo onde puderam. A furiosa tempestade derrubou galhos de árvores e destruiu plantações. Deixou as armas do populacho tão molhadas a ponto de tornarem-se inúteis. A tormenta assustou e afugentou os cavalos, e ergueu o nível do rio Fishing, impedindo-os de atacar o Acampamento de Sião. O Profeta relembra: "Parecia que uma ordem de vingança fora decretada pelo Deus das batalhas, a fim de proteger Seus servos da destruição pelas mãos de seus inimigos".

Dois dias depois, em 21 de junho, o coronel John Sconce e dois membros da milícia do condado de Ray cavalgaram até o Acampamento de Sião para saber quais eram as intenções dos mórmons. "Vejo que existe uma força Todo-Poderosa protegendo esse povo", admitiu Sconce. O Profeta explicou que o único propósito do Acampamento de Sião era ajudar os irmãos a retornarem a suas terras e que seu intento não era ferir qualquer pessoa. Ele disse: "Os comentários maldosos que circularam a nosso respeito são falsos, tendo sido inventados por nossos inimigos que procuram destruir-nos". Sconce e seus companheiros ficaram tão impressionados com a história das injustiças sofridas pelos santos que prometeram usar de toda a sua influência para desfazer os sentimentos negativos existentes a respeito dos mórmons.

No dia seguinte, 22 de junho, Joseph recebeu uma revelação comunicando a insatisfação do Senhor com os membros da Igreja por sua desobediência e egoísmo:

"Não repartem seu sustento com os pobres e aflitos dentre eles, como convém a santos; No livro de Doutrina e Convênios é ensinado a situação em que aquele povo se encontrava como descrito em Doutrina e Convênios 105:3-4; “Mas eis que não aprenderam a ser obedientes às coisas que exigi de suas mãos, mas estão cheios de toda sorte de maldades e não repartem seu sustento com os pobres e aflitos dentre eles, como convém a santos; E não estão unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial;” Essa repreensão era dirigida especificamente aos membros dos ramos que foram vagarosos em compartilhar de si mesmos e de seus bens para a causa de Sião. Nos versículos 7-8; “Não falo sobre os que são designados para conduzir meu povo, que são os primeiros élderes de minha igreja, porque não estão todos sob esta condenação; Mas falo sobre minhas igrejas em outros lugares. Muitos há que dirão: Onde está o Deus deles? Eis que ele os livrará em tempos de dificuldade ou não subiremos a Sião e guardaremos nosso dinheiro.”

Os santos teriam que aprender seu dever e adquirir mais experiência antes que Sião pudesse ser redimida. Nos versículos 9 e 10 lemos: “Portanto, em conseqüência das transgressões de meu povo, é conveniente para mim que meus élderes esperem um pouco a redenção de Sião, Para que estejam preparados e para que meu povo seja ensinado mais perfeitamente e tenha experiência e conheça mais perfeitamente os seus deveres e as coisas que exijo de suas mãos.” No Versículo 13: “Portanto é conveniente para mim que meus élderes esperem algum tempo pela redenção de Sião.”

Ele prometeu aos que fossem obedientes que seriam investidos com poder do alto se continuassem fiéis. Como menos nos versículos 11-12: “E isso não poderá acontecer até que meus élderes sejam investidos de poder do alto. Pois eis que preparei uma grande investidura e bênção para derramar sobre eles, se forem fiéis e perseverarem em humildade diante de mim.”

Se o Acampamento de Sião não obteve sucesso em seus objetivos militares, foi bem-sucedido em cumprir os propósitos do Senhor. Falando aos homens do acampamento, o Senhor disse no versículo 19: “Ouvi suas orações e aceitarei sua oferta; a mim convém que sejam trazidos até aqui para uma prova de sua fé.”

Para uns poucos santos, o mandamento do Senhor de não lutar foi o teste final de sua fé. Desapontados e irados, acabaram apostatando. Como resultado de sua insurreição, o Profeta admoestou novamente o acampamento dizendo que o Senhor enviaria um castigo devastador sobre eles como conseqüência de suas reclamações injustificadas. Um dia antes da revelação, dois homens contraíram cólera. Três dias depois, outros homens foram acometidos da terrível doença, que era transmitida pela água contaminada. A epidemia espalhou-se, causando grave diarréia, vômitos e câimbras.

Antes do final, cerca de sessenta e oito pessoas, incluindo Joseph Smith, foram atacados pela doença, e quatorze integrantes do acampamento morreram, uma das quais foi uma mulher chamada Betsy Parrish. Em 2 de julho, Joseph Smith disse ao acampamento que "se eles se humilhassem perante o Senhor e fizessem o convênio de guardar Seus mandamentos e obedecer a meus conselhos, a praga cessaria naquele momento, e não haveria outro caso de cólera entre eles. Os irmãos fizeram convênio erguendo a mão, e a praga cessou".

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