Discursos de Joseph Smith
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Os santos de Nauvoo freqüentemente ouviam o Profeta Joseph Smith pregar, e muitos deles escreveram como se sentiram tocados pela experiência.
Ficavam maravilhados de ouvir suas palavras e eram fortalecidos por seus testemunhos. Brigham Young disse: "Esses eram momentos mais pre-ciosos para mim do que todas as riquezas da Terra. Não importa quão grande fosse minha pobreza; Se eu tiver que pedir farinha emprestada para alimentar minha esposa e filhos, jamais deixarei passar uma oportunidade de aprender o que o Profeta tem a nos dizer."
Wandle Mace, um recém-converso, disse que ouvir o Profeta em público ou em particular, sob chuva ou sol, fez com que ficasse convencido de que Joseph Smith era um homem inspirado por Deus. Ele nunca perdia uma oportunidade de ouvir Joseph pregar porque "Joseph têm-nos alimentado com delicioso manjar espiritual". James Palmer, um converso inglês, disse que o Profeta "parecia e tinha a aparência de alguém que havia sido enviado por Deus, quando pregava, ou como alguém que tivesse sido enviado dos mundos celestiais para uma missão divina."
Não havia capela grande o suficiente para acomodar todos os santos para ouvirem seu Profeta, por isso quando o tempo estava bom eles reuniam-se ao ar livre, sob as árvores. Um local típico de reunião era um bosque que formava uma área parecida com um anfiteatro na encosta oeste da colina em que ficava o templo.
Durante o período de Nauvoo, o Profeta acostumou-se a fazer discursos públicos. Nos primeiros dias da Restauração ele costumava deixar que outros pregassem, os quais ele achava serem melhores oradores. Em Nauvoo e nas comunidades vizinhas, porém, ele pregou com grande poder e autoridade. Seus quase duzentos discursos realizados nesses anos moldaram o entendimento dos santos das doutrinas do evangelho e influenciaram grandemente a Igreja.
No dia 20 de março de 1842, domingo, no funeral do filho de Windsor P. Lyon, Joseph escolheu como tema de seu discurso no bosque a salvação das criancinhas.
Ele disse que havia "perguntado por que as crianças pequenas e inocentes eram tiradas de nosso convívio, especialmente as que pareciam ser as mais inteligentes e interessantes". Ele disse que elas eram levadas para serem poupadas da iniqüidade que estava crescendo no mundo. Ele então declarou uma das mais consoladoras doutrinas reveladas nos últimos dias: "Todas as crianças são redimidas pelo sangue de Jesus Cristo e assim que partem deste mundo são recebidas no seio de Abraão. A única diferença entre o velho e o jovem que morre, é que um deles vive mais tempo no céu e na luz e glória eternas do que o outro, sendo libertado mais cedo deste mundo iníquo e miserável."
Na primavera de 1843, Joseph visitou freqüentemente as comunidades de santos dos arredores para os ensinar e os orientar. Quando esteve em Ramus, se hospedou na casa de seu amigo Benjamin F. Johnson.
Os ensinamentos do Profeta em Ramus, Illinois, no dia 2 de abril de 1843, domingo, foram tão importantes que passaram a fazer parte da história oficial da Igreja e mais tarde foram incluídos em Doutrina e Convênios como a seção 130.
Em uma reunião matutina, o Élder Orson Hyde falou a respeito do Pai e do Filho habitarem no coração dos santos e disse que o Salvador em Sua segunda vinda apareceria "montado em um cavalo branco, como um guerreiro". No almoço, Joseph Smith disse a Orson que faria algumas correções em seu discurso na reunião da tarde. O Élder Hyde respondeu: "Ficarei muito agradecido por isso".
O Profeta explicou aos santos: "Quando o Salvador se manifestar, vê-lo-emos como é. Veremos que é um homem como nós". Como lemos em Doutrina e Convênios 130:1: “Quando o Salvador se manifestar, vê-lo-emos como é. Veremos que é um homem como nós.”
Prosseguindo as correções, ele acrescentou que “a idéia de que o Pai e o Filho habitam no coração do homem é uma velha concepção sectária e é falsa". Mais tarde, em seu sermão, ele declarou destemidamente que "0 Pai possui um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também; mas o Espírito Santo não possui um corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito".
Nesse monumental discurso, Joseph Smith também ensinou outras verdades eternas que inspiraram os Santos dos Últimos Dias a procurarem diligentemente a verdade e esforçarem-se por fazer boas obras. Ele explicou que "qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida surgirá conosco na ressurreição.”
“E se uma pessoa por sua diligência e obediência adquirir mais conhecimento e inteligência nesta vida do que uma outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro". Ele também explicou que "há uma lei, irrevogavelmente decretada nos céus, desde antes da fundação deste mundo, na qual se baseiam todas as bênçãos.”
“E quando de Deus obtemos uma bênção, é pela obediência àquela lei na qual a bênção se baseia."
Um mês e meio depois, o Profeta visitou Ramus novamente. Numa reunião noturna, um pregador metodista, Samuel Prior, que estava visitando a cidade para conhecer mais a respeito da Igreja, foi convidado a falar à congregação. Depois de suas palavras, Joseph Smith ergueu-se e discordou do que o reverendo Prior havia dito. Prior escreveu: "Ele o fez com mansidão, educação e tato; como alguém que estivesse mais interessado em divulgar a verdade e apontar o erro do que em maldosamente vencer-me em um debate. Senti-me verdadeiramente edificado por seus comentários e isso derrubou muitos de meus preconceitos contra os mórmons".
Os ensinamentos de Joseph Smith nessa ocasião mostram seu chamado profético e hoje estão registrados como escritura: "Não existe algo como matéria imateria. Todo espírito é matéria, mas é mais refinado ou puro e só pode ser discernido por olhos mais puros”;
“Não podemos vê-lo; mas quando nosso corpo for purificado, veremos que ele é todo matéria". Como escrito em Doutrina e Convênios 131:7-8: “Mas habitam na presença de Deus, em um globo semelhante a um mar de vidro e fogo, onde todas as coisas passadas, presentes e futuras manifestam-se para sua glória; e estão continuamente diante do Senhor. O lugar onde Deus habita é um grande Urim e Tumim.”
À medida que avançava o trabalho de construção do templo, o Profeta Joseph fez um de seus discursos mais grandiosos em reuniões especiais diante do edifício inacabado. Uma dessas ocasiões foi na conferência de abril de 1843. Naquela época, as amplamente divulgadas profecias de William Miller de que Cristo voltaria no dia 3 de abril de 1843 haviam causado muita agitação por toda a América e também entre os santos dos últimos dias. (Miller foi um fanático religioso que fundou o millerismo.)
Numa sessão da conferência de 6 de abril, Joseph disse que como o profeta do Senhor ele havia orado e ficara sabendo que "a vinda do Filho do Homem nunca será, nunca poderá acontecer antes que os referidos julgamentos que acompanharão essa hora sejam derramados: os quais já começaram".
O Profeta também relacionou alguns eventos que ainda não haviam ocorrido, mas que iriam acontecer antes da Segunda Vinda De Cristo: "Judá deve retornar, Jerusalém precisa ser reconstruída, e o templo também, e deverá brotar água de sob o templo, e as águas do Mar Morto tornar-se-ão saudáveis”. “Levará algum tempo para reconstruir as muralhas da cidade e o templo".
O mais famoso de todos os sermões do Profeta foi proferido na conferência geral de abril de 1844, como discurso fúnebre em homenagem a seu amigo King Follet, que havia falecido em um acidente de trabalho.
Joseph Srnith falou por mais de duas horas, mencionando pelo menos trinta e quatro temas de doutrina, incluindo a importância de conhecermos o verdadei-ro Deus, o modo pelo qual nos tornamos semelhantes a Deus, a pluralidade de deuses, o progresso eterno, a importância do Espírito Santo, a natureza da inteligência, o pecado imperdoável e as criancinhas e a Ressurreição.
Uma de suas mensagens mais profundas foi a respeito de Deus e do destino do homem em relação a Ele. Ele declarou: "O próprio Deus já foi como somos agora, ele é um homem exaltado, entronizado em céus distantes! E tereis que aprender como tomar-vos deuses vós mesmos passando de um pequeno degrau para outro, de uma capacidade menor para outra maior; de graça em graça, de exaltação em exaltação, até que consigais ressuscitar os mortos e sejais capazes de habitar em fulgores eternos e de assentar-vos em glória, como aqueles que estão entronizados nas labaredas eternas".
O homem, então, deve tornar-se desde já semelhante a Deus. Joseph também explicou os "primeiros princípios de consolação" para aqueles que pranteiam os mortos: "Apesar de este tabernáculo terreno ser enterrado e desfeito, ele se erguerá novamente para habitar nas labaredas eternas em glória imortal, não para sofrer, padecer ou morrer novamente, mas serão herdeiros de Deus e co-herdeiros com Jesus Cristo".
Como os santos reagiram a esse discurso longo, porém eloqüente e inspirador? A maioria ficou profundamente tocada por ele. Joseph Fielding escreveu em seu diário: "Nunca me senti mais maravilhado com seu discurso do que naquela ocasião. Ele colocou-me na mente de Herodes ao dizer: Voz de Deus e não de homem". Como ensinado em Atos 12:20-23: “E ele estava irritado com os de Tiro e de Sidom; mas estes, vindo de comum acordo ter com ele, e obtendo a amizade de Blasto, que era o camarista do rei, pediam paz; porquanto o seu país se abastecia do país do rei. E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou.”
Enquanto os santos permaneceram em Nauvoo, testemunharam um florescimento da teologia. Ouviram a seu líder profeta explicar detalhadamente alguns temas doutrinários que haviam sido mencionados apenas superficialmente até então. Quando liam o Times and Seasons, eles sentiam uma teologia mais plenamente desenvolvida do que haviam conhecido em Omo ou Missouri. Enquanto construíam o templo e participavam de suas ordenanças sagradas, receberam poder, conhecimento e bênçãos desconhecidas em tempos anteriores. O desenvolvimento da doutrina em Nauvoo criou um duradouro legado para a Igreja no futuro.