Descoberta e colonização da América

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A descoberta e a colonização da América foram outros importantes preparativos para a restauração do evangelho. A América havia sido preservada como uma terra escolhida de onde, nos últimos dias, o evangelho seria levado a todas as nações do mundo. Morôni, um antigo profeta das Américas, escreveu: "Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo, O qual foi manifesto pelas coisas que escrevemos". (Éter 2:12)

A chegada de Cristóvão Colombo foi prevista por Néfi, outro profeta das Américas, mais de dois mil anos antes do nascimento do navegador. "E olhei e vi entre os gentios um homem que estava separado da semente de meus irmãos [os descendentes de Leí] pelas muitas águas; e vi que o Espírito de Deus desceu e inspirou o homem; e indo esse homem pelas muitas águas, chegou até a semente de meus irmãos que estava na terra da promissão." (1 Néfi 13:12)

O próprio Colombo, em seus escritos, confirmou ter sido inspirado por Deus a empreender suas aventuras como marinheiro e a levar a religião aos índios.

Néfi continua sua profecia, declarando em 1 Néfi 13:13: “E aconteceu que vi o Espírito de Deus inspirar outros gentios; e eles saíram do cativeiro, atravessando as muitas águas.” Muitas pessoas que se estabeleceram na terra prometida foram guiadas pela mão de Deus, como vemos em 2 Néfi 1:6: “E aconteceu que depois de haver viajado três dias pelo deserto, ele armou sua tenda num vale, à margem de um rio de águas.”

Néfi previu muitos outros eventos que ocorreriam na América. Viu os Lamanitas (os índios da América do Norte e do Sul) serem dispersos por toda a terra pelos gentios, e viu também que os gentios seriam humilhados e clamariam ao Senhor, e o Senhor estaria com eles. Néfi predisse que os colonizadores da América teriam que guerrear contra a mãe dos gentios (na Guerra da Independência Americana e na Guerra de 1812) e seriam libertados pela mão do Senhor, como podemos ver em 1 Néfi 13:14-19: “E aconteceu que vi muitas multidões de gentios na terra da promissão e vi que a ira de Deus estava sobre a semente de meus irmãos; e eles foram dispersos pelos gentios e foram feridos. E vi que o Espírito do Senhor estava sobre os gentios e eles prosperaram e receberam a terra por herança; e vi que eram brancos, muito belos e formosos, como era meu povo antes de ser exterminado. E aconteceu que eu, Néfi, vi que os gentios que haviam saído do cativeiro humilharam-se diante do Senhor; e o poder do Senhor estava com eles. E eu vi que as pátrias-mães dos gentios estavam reunidas sobre as águas e também sobre a terra, para batalhar contra eles. E vi que o poder de Deus estava com eles e também que a ira de Deus estava sobre todos os que se achavam reunidos para batalhar contra eles. E eu, Néfi, vi que os gentios que haviam saído do cativeiro foram libertados das mãos de todas as outras nações, pelo poder de Deus.”

O Presidente Joseph Fielding Smith disse: "A descoberta da América foi um dos fatores mais importantes no cumprimento dos propósitos do Todo-Poderoso na restauração da plenitude de Seu evangelho para a salvação dos homens nestes últimos dias".

A Liberdade Religiosa na América.

Apesar de muitos historiadores declararem que a maior parte dos primeiros colonizadores viajaram para a América por motivos econômicos, muitos desses colonizadores também estavam procurando um lugar onde tivessem liberdade religiosa. Entre eles estavam os puritanos, que estabeleceram fortes comunidades religiosas na Nova Inglaterra. Acreditavam possuir a verdadeira fé e conseqüentemente não toleravam qualquer outra religião.

Essa intolerância precisou ser vencida antes que a restauração da igreja de Cristo pudesse acontecer.

Alguns dissidentes dos puritanos, dentre os quais Roger Williams foi o mais preeminente, argumentavam que deveria haver uma clara separação entre a igreja e o estado, e que nenhuma religião em particular deveria ser imposta aos cidadãos. Roger Williams também ensinava que todas as igrejas haviam se afastado da legítima sucessão apostólica. Em 1635, Williams foi banido de Massachusetts; poucos anos depois, ele e outras pessoas com idéias semelhantes receberam permissão de estabelecer a colônia de Rhode Island, onde havia total tolerância para com todas as religiões.

Uma mulher corajosa, Arme Hutchinson, chegou a Massachusetts em 1634. Ela discordava dos líderes locais em duas questões teológicas: o papel das boas obras na salvação e a possibilidade de um indivíduo receber inspiração do Santo Espírito. A Sra. Hutchinson também foi banida de Massachusetts e procurou refúgio em Rhode Island, em 1638. Apesar dos esforços de pessoas como Roger Williams, Arme Hutchinson e outros, ainda se passaria um século e meio antes que houvesse tolerância religiosa na Nova Inglaterra.

Enquanto isso, muitos grupos religiosos estabeleceram comunidades no restante das colônias americanas. Cada um deles contribuiu para o espírito religioso da América. Os católicos romanos que se estabeleceram em Maryland promulgaram o primeiro Ato de Tolerância Religiosa da história da América. Os quacres da Pensilvânia também promoveram a tolerância religiosa e a separação entre o estado e a igreja. Havia colonizadores de tantas religiões diferentes que era impossível considerar uma denominação predominante. Essa diversidade religiosa foi o principal motivo da liberdade religiosa que se tornou uma característica singular dos Estados Unidos.

Apesar de haver muitas igrejas diferentes na América, a maioria dos colonizadores não se considerava membro de qualquer denominação em particular. Um importante movimento na história religiosa americana foi o Grande Despertar, que teve início por volta de 1739 e continuou por quase duas décadas. Esse primeiro reavivamento religioso ocorrido no início da história americana foi um esforço diligente no sentido de restaurar a retidão e o zelo religioso. O Grande Despertar difundiu-se por todas as treze colônias.

Os evangelistas e pregadores itinerantes realizavam serviços religiosos em locais informais, incluindo casas, estábulos e até mesmo pastagens. O Grande Despertar incentivou o fervor religioso na América como não se via em muitos anos, e promoveu maior participação de leigos e ministros na administração da religião organizada. Também despertou nos colonizadores americanos o desejo de unirem-se em uma ordem democrática.

Apesar desses esforços, não houve total liberdade religiosa na América até a Guerra da Independência Americana criar condições para que isso acontecesse. Por estarem unidos contra os ingleses, os colonizadores descobriram que suas diferenças religiosas não eram importantes para a causa que defendiam e que eles concordavam nos princípios fundamentais de suas várias crenças religiosas. Além disso, Thomas Jefferson opôs-se firmemente às pressões indevidas exercidas sobre o governo por grupos religiosos organizados.

A Declaração da Independência, redigida por Jefferson, declarava que os homens eram capazes de descobrir por si mesmos as instituições políticas corretas.

Com a nova liberdade alcançada após a Guerra da Independência, vários estados procuraram proteger os direitos humanos básicos, incluindo a liberdade religiosa. O estado de Virgínia foi o primeiro a adotar, em 1785, o projeto de lei de Jefferson referente à liberdade religiosa, garantindo que nenhuma pessoa seria obrigada a freqüentar ou apoiar qualquer igreja nem ser discriminada por sua preferência religiosa.

Após alguns anos da malograda experiência como confederação de estados, urna nova constituição foi redigida nos Estados Unidos, em 1787, e ratificada em 1789.

Esse documento escrito "pelas mãos de homens prudentes que [o Senhor levantou] para este propósito" como vemos em Doutrina e Convênios 101:80: “E com este propósito estabeleci a Constituição deste país, pelas mãos de homens prudentes que levantei para este propósito; e redimi a terra pelo derramamento de sangue.” Representava o desejo de liberdade e a necessidade fundamental de ordem.

A liberdade religiosa foi garantida pela primeira emenda da constituição. O Profeta Joseph Smith declarou que "a Constituição dos Estados Unidos é um estandarte glorioso; está fundamentada na sabedoria de Deus. É urna bandeira celestial; é como sombra fresca para todos aqueles que têm o privilégio de saborear as doçuras da liberdade, corno as águas refrescantes de urna grande rocha em terreno árido e desolado". Urna das razões da veracidade dessa declaração é que “sob a Constituição, o Senhor pôde restaurar o evangelho e restabelecer Sua igreja. Ambos fazem parte de um grande todo e se enquadram em Seu plano para os últimos dias".

Juntamente com a Guerra da Independência e a promulgação da Constituição, houve o segundo Grande Despertar, que promoveu grandes mudanças na filosofia cristã. Muitas religiões novas fortaleceram-se, pregando grande diversidade de doutrinas: os unitaristas, os universalistas, os metodistas, os batistas e os discípulos de Cristo.

Muitas crenças foram introduzidas na nova nação, inclusive a idéia da necessidade de urna restauração do cristianismo do Novo Testamento. Os que buscavam essa restauração tornaram-se popularmente conhecidos como "seekers" (aqueles que procuram). Muitas dessas pessoas estavam prontas para aceitar a Restauração divina e vieram a tornar-se alguns dos primeiros conversos da Igreja.

Quase concomitantes ao Segundo Grande Despertar, surgiram movimentos de reavivamento religioso. Pregadores itinerantes realizavam reuniões ao ar livre entre os colonos das fronteiras dos Estados Unidos, que na época era um país em expansão. Colonos que viviam solitários nas fazendas e cidades reuniam-se em enormes multidões para participar dessas reuniões ao ar livre. Pregadores espalhafatosos mas carismáticos davam um ar festivo a essas reuniões religiosas, ao mesmo tempo em que tentavam chamar novos conversos para suas respectivas religiões.

O Segundo Grande Despertar também influenciou a formação de associações voluntárias que promoviam o trabalho missionário, a educação, a reforma moral e o humanitarismo. Os reavivamentos levaram os sentimentos religiosos do povo a um estado de excitação febril e ajudaram o crescimento das denominações mais populares, em particular os meto distas e batistas. Esse reavivamento religioso durou pelo menos quarenta anos, incluindo a época da primeira visão de Joseph Smith.

A restauração do evangelho e da verdadeira Igreja do Senhor não poderia ter acontecido em meio à intolerância religiosa que existia na Europa e no início da colonização da América. A restauração somente seria possível num clima de liberdade religiosa, de redirecionamento do pensamento cristão e de reavivamento espiritual, como o que houve no início do século XIX na América. É evidente que a mão do Senhor estava dirigindo esses eventos para que a Restauração ocorresse exatamente na época em que aconteceu.

O célebre historiador americano Gordon S. Wood reconhece ter havido um momento propício para a Restauração: "Foi providencial que a Restauração tenha ocorrido em 1830. Esse parece ter sido precisamente o momento ideal na história americana; pois muito antes ou muito depois disso, a Igreja não teria criado raízes. O Livro de Mórmon provavelmente não teria sido publicado no século XVIII, num mundo regido por crenças e tradições folclóricas, anterior à revolução democrática que viria a propiciar o clima de agitação religiosa do início da República. No século XVIII, o mormonismo teria sido facilmente reprimido e rejeitado pela classe dominante, culta e esclarecida, que o teria considerado como mais uma entusiástica superstição folclórica. Por outro lado, se o mormonismo tivesse surgido mais tarde, após o estabelecimento do governo e a difusão da ciência, na metade do século XIX, certamente teria encontrado problemas em comprovar a origem de seus textos e revelações”.

Deus conhece o fim desde o princípio e é o autor do grande roteiro da história da humanidade. Os acontecimentos históricos foram por Ele dirigidos, para que a América viesse a tornar-se o solo fértil adequado no qual a semente do evangelho restaurado seria plantada e regada por seu vidente escolhido, Joseph Smith.

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