Conspiração contra Joseph Smith Jr.
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Em nítido contraste com a retidão da maioria dos santos que moravam na próspera Nauvoo havia a apostasia que grassava em seu meio. William Law, segundo conselheiro de Joseph Smith, e seu irmão Wilson lideraram a conspiração contra o Profeta.
Nos primeiros meses de 1844, seus seguidores aumentaram gradualmente a aproximadamente duzentas pessoas. Outros líderes inclusive os irmãos Robert e Charles Foster, Chauncey e Francis Higbee e dois influentes não-mórmons - Sylvester Emmons, membro do conselho municipal de Nauvoo, e Joseph H. Jackson, um conhecido criminoso.
No dia 24 de março de 1844, domingo, Joseph Smith falou no templo a respeito da conspiração, tendo acabado de receber essa notícia de um informante. Ele revelou alguns de seus inimigos e disse: "As mentiras que Higbee inventou e sobre as quais fundamentou sua obra, ele disse que eu cortei a cabeça de alguns homens em Missouri e que enfiei a espada no coração de pessoas que quis tirar de meu caminho. Não farei uma acusação juramentada contra eles, pois não temo qualquer um deles. Eles não assustariam nem um bando de galinhas".
Na conferência geral de abril, os conspiradores procuraram conseguir a queda do Profeta. Confiantes de que a maioria dos santos iriam se opor ao princípio do casamento plural, eles planejaram levantar o assunto na sessão de assuntos da Igreja da conferência. Estavam também preparados para argumentar que Joseph Smith era um profeta decaído, porque poucas ou nenhuma de suas profecias haviam sido publicadas nos meses anteriores.
Em uma tentativa de impedir a ação dos conspiradores, o Profeta testificou no início da conferência que ele não era um profeta decaído, que nunca se sentira tão próximo de Deus como naquele momento e que mostraria aos presentes antes do final da conferência que Deus estava com ele.
No dia seguinte, ele falou durante duas horas na conferência, proferindo o que ficou conhecido com o Discurso King Follett. Naquela ocasião, os fiéis testemunharam a majestade de seu Profeta.
O caso expositor
Os líderes da conspiração foram divulgados no Times and Seasons e excomungados da Igreja. Como seus planos foram frustrados, os dissidentes decidiram publicar um jornal de oposição. A primeira e única edição de seu jornal, que ficou chamado de Nauvoo Expositor, surgiu em 7 de junho de 1844. Nesse jornal, Joseph Smith foi acusado de ensinar princípios indecentes, praticar prostituição, defender a assim chamada "esposas espirituais", conquistar poder político, pregar que havia muitos deuses, blasfemar contra Deus e promover uma inquisição.
O conselho municipal reuniu-se em longas sessões no dia 8 de junho, sábado, e novamente na segunda-feira. Suspenderam um de seus integrantes, o não-mórmons Sylvester Emmons, que era redator do Expositor e falaram sobre a identidade dos editores e suas intenções. Usando o famoso jurista inglês William Blackstone como autoridade legal e examinando várias leis municipais, o conselho decidiu proibir a circulação do jornal como atentado à ordem pública por difamar moradores da cidade. Além disso, argumentaram que se nada fosse feito para silenciar o jornal difamatório, os anti-mórmons seriam instigados a rebelarem-se e atacar.
Joseph Smith, o prefeito, ordenou ao oficial de justiça da cidade, John Greene, que destruísse a prensa, espalhasse os tipos e queimasse todos os exemplares restantes do jornal. A ordem foi cumprida no intervalo de horas. O conselho da cidade agiu legalmente para impedir um atentado à ordem, apesar de que a opinião legal da época permitisse apenas a destruição dos exemplares publicados do jornal difamatório. A demolição da oficina tipográfica foi uma violação dos direitos de propriedade.
Depois da destruição da prensa, os editores seguiram imediatamente para Carthage e obtiveram uma ação legal contra o conselho municipal de Nauvoo acusando-o de instigar ações do populacho. Em 13 e 14 de junho, porém, Joseph Smith e outros membros do conselho foram libertados por um habeas corpus perante o tribunal municipal de Nauvoo.
Isso deixou o público ainda mais exaltado. Além disso, apesar de lllinois ter testemunhado vinte destruições semelhantes de oficinas tipográficas nas duas décadas anteriores sem que fosse provocada tamanha reação, os inimigos da Igreja declararam que o incidente do Expositor era uma violação da liberdade de imprensa.
Essas ações estimularam grupos de cidadãos do condado de Hancock a pedir a expulsão dos santos de lllinois. Thomas Sharp veementemente expressou os sentimentos de muitos inimigos da Igreja, ao publicar em um artigo no Warsaw Signal: "A guerra e o extermínio são inevitáveis! Cidadãos, erguei-vos, todos vós!! Como podeis suportar esses demônios do Inferno e permitir que roubem propriedades e direitos das pessoas sem exigir vingança? Não há tempo para comentários, cada homem fará o seu próprio! Que isso seja feito com pólvora e balas!”
A situação tornou-se tão perigosa que Joseph Smith escreveu ao governador Ford colocando-o a par das circunstâncias e anexando vários documentos que explicavam as ameaças feitas aos santos. Hyrum Smith escreveu a Brigham Young pedindo aos Doze e todos os outros élderes em missão política que retomassem imediatamente a Nauvoo.
Hyrum declarou: "Sabe que não estamos com medo, mas acho melhor estarmos preparados e prontos para o que irá acontecer".
Joseph mobilizou seus guarda-costas e a Legião de Nauvoo, e em 18 de junho colocou a cidade sob lei marcial. Enquanto isso, os cidadãos do condado de Hancock pediram ao governador Ford que mobilizasse a milícia estadual e levasse os ofensores de Nauvoo perante a justiça.
A excitação era tamanha que o governador Ford publicou uma carta aberta pedindo calma e depois foi a Carthage para neutralizar uma situação que ameaçava dar início a uma guerra civil. Ele também escreveu a Joseph Smith insistindo que somente um julgamento dos membros do conselho municipal perante um juri não-mórmon, em Carthage, deixaria a população satisfeita.
Ele prometeu completa proteção para os acusados se eles se entregassem. O Profeta não acreditava que o governador fosse capaz de cumprir sua promessa. Ele escreveu-lhe em resposta: "Fomos informados que foram emitidos mandados contra nós em várias partes do país. Por que motivo? Para arrastar-nos de um lado para o outro, de um tribunal a outro, através de riachos e pradarias, até que algum vilão sedento de sangue tenha a oportunidade de alvejar-nos. Não ousamos apresentar-nos."
Aconselhando-se com seus irmãos, Joseph Smith considerou a possibilidade de ir a Washington, D.C., apresentar seu caso perante o presidente John Tyler. Mais tarde, eles leram uma carta do governador que não parecia mostrar qualquer misericórdia para com eles, e pensaram no que fazer depois.
Enquanto procurava encontrar uma solução para a situação, o rosto de Joseph iluminou-se, e ele declarou: "0 caminho está aberto. Está claro em minha mente o que preciso fazer. Eles querem apenas Hyrum e eu; então digam a todos que prossigam com seus afazeres, não se reúnam em grupos, mas não se dispersem. Cruzaremos o rio esta noite e fugiremos para oeste". O Profeta provavelmente planejava escapar e depois dar a volta e viajar até a capital do país, porque no dia seguinte escreveu uma carta a Emma Smith explicando-lhe que se possível ele iria para a "cidade de Washington".
Bem tarde da noite de 22 de junho de 1844, Joseph e Hyrum se despediram tristemente de suas famílias, e juntamente com Willard Richards e Orrin Porter Rockwell, cruzaram o rio Mississipi em uma canoa. O barco estava tão cheio de buracos e o rio tão cheio que levaram a maior parte da noite para chegar à outra margem.
Bem cedo pela manhã, um grupo armado chegou a Nauvoo para levar Joseph e Hyrum presos, mas não os encontraram. O grupo voltou para Carthage, depois de ameaçar os cidadãos com a invasão de tropas se Joseph e Hyrum não se entregassem. Naquela mesma manhã, alguns dos irmãos que foram visitar Joseph reclamaram que as turbas expulsariam os santos de suas casas apesar da fuga de Joseph. O Profeta respondeu: "Se minha vida não tem qualquer valor para meus amigos, então também não tem valor para mim". Joseph e Hyrum então fizeram planos de retornar a Nauvoo e entregarem-se para serem presos no dia seguinte.