A Igreja durante a Grande Depressão

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Poucos eventos externos tiveram tamanha influência no curso da história de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias quanto a Grande Depressão da década de 1930.

Em 29 de outubro de 1929, conhecida como a Terça-Feira Negra, houve uma queda sem precedentes na bolsa de valores de Nova York, arruinando milhões de investidores. As pessoas pararam de comprar artigos supérfluos e muitos negócios faliram.

O impacto da Grande Depressão foi bastante severo na região das montanhas do oeste, onde residia a maioria dos Santos dos Últimos Dias. Em 1932, o índice de desemprego no estado de Utah chegou a 35,9 por cento e a renda per capita caiu em 48,6 por cento.

Chefes de família tiveram que deixar de lado o orgulho e enfrentar longas filas para pedir pão e outros alimentos. Nas áreas rurais, famílias perderam suas fazendas quando não conseguiram mais pagar as hipotecas.

Juntamente com seus membros, a organização da Igreja também sentiu o impacto da Depressão. Os gastos do fundo de dízimo, a maior fonte de rendimentos da Igreja, caiu de quatro milhões em 1927 para 2,4 milhões de dólares em 1933, resultando no corte de muitas atividades.

Primeiros Esforços Para Amenizar o Sofrimento.

Em 1933, em meio à depressão, o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Franklin D. Roosevelt, adotou uma série de medidas popularmente conhecidas como o "New Deal". Embora esses programas fossem apoiados pela maioria dos Santos dos Últimos Dias, os líderes da Igreja ficaram preocupados com a possibilidade de alguns santos acostumarem-se à idéia de receber algo em troca de nada. O Presidente Grant reconheceu tristemente: "Muitas pessoas dizem: 'Ora, os outros estão recebendo ajuda do governo, por que eu não poderia receber algo também?' Creio que existe uma tendência crescente entre as pessoas de tentar receber algo do governo dos Estados Unidos esperando nunca terem que devolver”. “Considero isso totalmente errado".

Ao procurarem aconselhar os santos e atender a suas necessidades du¬rante a depressão, os líderes da Igreja encontraram orientação nas escrituras. Desde o princípio o Senhor ordenou: "Amarás a teu próximo como a ti mesmo", um princípio que o Apóstolo Tiago chamou de "lei real". (Tiago 2:8 “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.”) Quando o Senhor deu esse mandamento aos filhos de Israel, Ele tam¬bém os instruiu a prover o sustento dos pobres como vemos em Levítico 19:10, no Velho Testamento que diz: “Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor vosso Deus.”

O Senhor condenou vigorosamente aqueles que eram capazes, mas se recusavam a ajudar seus irmãos menos afortunados. Como vemos em Mosias 4:16-27: “E também, vós mesmos socorrereis os que necessitarem de vosso socorro; dareis de vossos bens aos necessitados e não permitireis que o mendigo vos peça em vão, afastando-o para que pereça. Talvez digais: O homem trouxe sobre si sua miséria; portanto, deterei minha mão e não lhe darei do meu sustento nem repartirei com ele meus bens a fim de que ele não padeça, porque seus castigos são justos. Digo, porém, ó homem, que quem faz isto tem grande necessidade de arrepender-se; e a menos que se arrependa do que fez, perece para sempre e não tem lugar no reino de Deus. Pois eis que não somos todos mendigos? Não dependemos todos do mesmo Ser, sim, de Deus, para obter todos os bens que temos, tanto alimentos como vestimentas e ouro e prata e todas as riquezas de toda espécie que possuímos? E eis que, mesmo agora, haveis invocado seu nome e suplicado a remissão de vossos pecados. E permitiu ele que pedísseis em vão? Não; ele derramou sobre vós o seu Espírito e fez com que se enchesse de alegria o vosso coração e fez com que se fechasse a vossa boca para que não vos pudésseis exprimir, tão grande era a vossa alegria. Ora, se Deus, que vos criou, de quem depende vossa vida e tudo o que tendes e sois, concede-vos todas as coisas justas que pedis com fé, acreditando que recebereis, oh! então, quanto mais não deveríeis repartir os vossos bens uns com os outros! E se julgais o homem que pede de vossos bens para não perecer e o condenais, quanto mais justa será a vossa condenação por reterdes vossos bens, que não pertencem a vós, mas a Deus, a quem também vossa vida pertence; e, contudo, nada pedis nem vos arrependeis daquilo que haveis feito. Digo-vos: Ai de tal homem, porque os seus bens perecerão com ele! E agora digo estas coisas aos que são ricos no que toca às coisas deste mundo. E novamente digo aos pobres, vós que não tendes e, ainda assim, tendes o suficiente para passar de um dia para outro; refiro-me a todos vós, que negais ao mendigo porque não tendes; quisera que dissésseis em vosso coração: Não dou porque não tenho, mas se tivesse, daria. E agora, se dizeis isto em vosso coração, não sois culpados; do contrário, sois condenados e vossa condenação será justa, porque cobiçais aquilo que não haveis recebido. E agora, por causa das coisas que vos disse isto é, para conservardes a remissão de vossos pecados, dia a dia, a fim de que andeis sem culpa diante de Deus quisera que repartísseis vossos bens com os pobres, cada um de acordo com o que possui, alimentando os famintos, vestindo os nus, visitando os doentes e aliviando-lhes os sofrimentos, tanto espiritual como materialmente, conforme as carências deles. E vede que todas estas coisas sejam feitas com sabedoria e ordem; porque não se exige que o homem corra mais rapidamente do que suas forças o permitam. E, novamente, é necessário que ele seja diligente, para que assim possa ganhar o galardão; portanto todas as coisas devem ser feitas em ordem.”


A Igreja possuía um programa de bem-estar desde antes da depressão.

Durante a década de 1920, o Bispado Presidente e a Junta Geral da Sociedade de Socorro trabalharam ativamente na procura de empregos, a manutenção de um armazém e outras maneiras de ajudar os necessitados. Portanto, quando as condições econômicas pioraram depois da quebra da bolsa de valores, a Igreja pôde trabalhar em cima dos programas já existentes, melhorando-os. Em 1930, o Bispo Presidente Sylvester Q. Cannon insistiu que os bispados tinham a responsabilidade de "cuidar para que nenhum dos membros ativos da Igreja passe necessidades na vida. O trabalho da Igreja é ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mesmas. A norma é ajudá-las a se tornarem independentes, em vez de dependerem da assistência da Igreja".

Os líderes locais desenvolveram soluções criativas para os problemas econômicos de seus membros.

A estaca Granite do condado de Salt Lake colocou os desempregados para trabalhar em vários projetos da estaca, administrou uma oficina de costura onde roupas doadas eram reformadas e conseguiu alimentos para os necessitados por meio de acertos cooperativos com fazendeiros das vizinhanças. A estaca Pioneer, situada numa região ainda menos próspera, foi particularmente atingida pela depressão. Sob a liderança de seu jovem presidente de estaca, Harold B. Lee, um armazém foi suprido de bens produzidos em projetos de serviço da estaca ou doados por membros da Igreja. Por meio das unidades locais da Igreja, as Autoridades Gerais proporcionaram incentivo, conselho e apoio a esses esforços para ajudar a atender às emergências.

Uma pessoa particularmente influente no início do desenvolvimento do programa de bem-estar da Igreja foi J. Reuben Clark Jr. que se tornou conselheiro do Presidente Grant em 1933. Antes de receber esse chamado, o Presidente Clark teve uma carreira brilhante em direito internacional e diplomacia, tendo servido como vice-ministro do exterior e embaixador dos Estados Unidos no México. O Presidente Grant instruiu seu novo conselheiro a elaborar um plano de assistência para os santos.

Em julho de 1933, a Primeira Presidência estabeleceu os princípios fundamentais e pela primeira vez determinou medidas específicas de assistência que poderiam ser efetuadas em toda a Igreja. "Nossos membros capazes não devem, exceto como último recurso, passar pela humilhação de terem que aceitar algo em troca de nada. Os líderes da Igreja que estiverem administrando os trabalhos de assistência devem encontrar meios e maneiras pelas quais todos os membros capazes da Igreja que estejam passando necessidade possam pagar o auxílio que receberem por meio de algum tipo de serviço."

Em troca do auxílio recebido, as alas foram individualmente instruídas a prepararem-se para atender às necessidades de seus próprios membros e depois oferecer auxílio para outras unidades necessitadas.

A Presidência concluiu sua mensagem incentivando os santos a ensinar aos membros a "primordial necessidade de viver uma vida digna, evitar desperdícios, cultivar o hábito da frugalidade, economia e industriosidade, vivendo estritamente dentro de suas posses e poupando algo, por menor que seja, para tempos mais difíceis que venham a surgir".

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